Esporte
02/08/2003 - 00h10

Daniele Hypólito tenta exorcizar Pan-Americano de 1999

EDUARDO OHATA
GUILHERME ROSEGUINI
JOÃO CARLOS ASSUMPÇÃO
da Folha de S.Paulo, na República Dominicana

Após quatro anos, Daniele Hypólito, 18, a mais conceituada atleta brasileira no Pan, retorna à competição que quase pôs fim à sua carreira. A ginasta admite que se não tivesse sido por sua mãe, Geni, teria desistido da carreira depois de Winnipeg-99.

A competição de ginástica artística em Santo Domingo tem início na manhã deste sábado, às 9h50, com a prova por equipes.

Daniele afirma que toda a pressão sofrida por ela em 1999, quando foi alvo de muita expectativa, teve um efeito adverso.

À época, a mais jovem atleta da delegação brasileira era tida como a principal revelação da equipe de ginástica. Porém terminou em sétimo nas duas finais que disputou, o salto sobre o cavalo e as barras assimétricas, prova na qual teve a performance comprometida após sofrer queda. Por equipes, ficou com o bronze.

"Vou mostrar [em Santo Domingo] que foi injusto terem colocado toda aquela responsabilidade nas costas de uma menina de 14 anos. Depois [que não ganhei medalha individual], todos caíram em cima de mim", protesta Daniele. "Mas estou mais madura agora", completa.

Segundo Edson Hypólito, 20, irmão de Daniele, o episódio quase provocou o fim da carreira da ginasta. "Rolou muita coisa, envolvendo a confederação, a [ex-técnica] Georgette Vidor e a imprensa. Se não tivessem sido as horas e horas de conversa com minha mãe, Daniele teria desistido, parado de treinar", afirma Edson.

A informação é confirmada pela ginasta. "É verdade [que pensei em desistir da ginástica], realmente havia ficado muito chateada com tudo aquilo que aconteceu", conta Daniele.

Mas a atleta prosseguiu com os treinos e, dois anos depois, conquistou a prata na prova de solo no Mundial de Ghent (BEL). No ano anterior, em 2000, foi 20ª colocada (individual geral) na Olimpíada de Sydney, melhor posição de uma brasileira na história.

Se para Daniele Santo Domingo é o palco onde buscará exorcizar alguns demônios, para a gaúcha Daiane dos Santos, 20, o Pan traz boas recordações.

Daiane foi prata no salto e bronze no solo e na competição por equipes de Winnipeg-99. E também registrou uma boa performance no Mundial de Ghent: foi a quinta colocada no solo.

"As pessoas lembram que tive uma boa apresentação no Pan de Winnipeg. Uso isso como motivação", argumenta Daiane, que se recupera de uma cirurgia no joelho direito, à qual foi submetida há cerca de um mês. Ela ainda faz exercícios de fisioterapia.

"A perna dói um pouco, mas acho que dá para repetir a performance de Winnipeg. Não fiquei parada", diz Daiane.

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