Atletas reclamam e tiram maiô "fashion" do Pan
EDUARDO OHATAGUILHERME ROSEGUINI
JOÃO CARLOS ASSUMPÇÃO
da Folha de S.Paulo, na República Dominicana
Com a intenção de unir bom gosto e praticidade, o COB contratou um estilista renomado para produzir os uniformes de toda a delegação. Mas, às vésperas da abertura do Pan-Americano de Santo Domingo, as novas vestimentas já causaram problema.
As jogadoras do pólo aquático feminino afirmaram que seria impossível atuar na competição com o maiô que receberam, desenhado por Alexandre Herchcovitch e produzido pela fabricante de material esportivo Olympikus.
Motivo: apesar de bonita, a peça poderia prejudicá-las. Segundo as atletas, o maiô fornecido pelo COB possui um decote muito grande nas costas. As adversárias, assim, podem aproveitar a fenda para agarrar as brasileiras e atrapalhar o movimento na piscina: o contato físico é permitido.
"Recebemos as roupas só aqui, na República Dominicana. Quando treinamos, percebemos que não funcionaria nos jogos. O maiô de pólo não pode ter decote nas costas. Pedimos para trocar imediatamente", disse Mariana Tonetti Roriz, capitã da equipe.
A reivindicação foi levada ao presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, Coaracy Nunes. Mesmo assim, o impasse perdurou.
Naquela altura, o dirigente considerava impossível requisitar à Olympikus um novo modelo antes da estréia, domingo, contra o Canadá.
A solução só veio de outra seleção. Rick Azevedo, brasileiro radicado nos EUA e treinador da seleção norte-americana de pólo masculino, resolveu o impasse.
Ele contatou hoje os diretores da Speedo, que fornece o material esportivo aos seus comandados, e pediu 30 peças com urgência para a delegação feminina do Brasil. Os maiôs devem chegar na tarde de amanhã a Santo Domingo.
Para evitar atritos com a Olympikus, parceira oficial de toda a delegação brasileira no Pan, Nunes pediu às competidoras que raspem toda logomarca da concorrente nas novas peças.
"Conversei com o COB antes de autorizar a compra do novo maiô, e eles não se opuseram. Não deixaremos nenhum resquício do nome Speedo nas peças", avisou o dirigente, que preferiu não informar o custo da operação.
A solução é idêntica à de um episódio semelhante ocorrido na Olimpíada de Sydney-2000.
Na ocasião, alguns nadadores brasileiros puderam utilizar o maiô "fast skin" (que, em tese, tinha menor atrito com a água), da Speedo, após serem autorizados pela Olympikus com o compromisso de rasparem o logo.
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