Esporte
04/08/2003 - 00h30

"Trintões" têm missão de colocar o Brasil no pódio do Pan-Americano

EDUARDO OHATA
GUILHERME ROSEGUINI
JOÃO CARLOS ASSUMPÇÃO
da Folha de S.Paulo, na República Dominicana

Uma geração de jovens talentos surgiu e deu novos ares à equipe brasileira. Só que, quando o dever é preencher o quadro de medalhas, a responsabilidade recai sobre ombros mais experientes.

No 14º Pan-Americano, o país que levou à República Dominicana uma delegação com média de idade de 23,2 anos mostra que ainda depende dos trintões para seguir como quarta potência esportiva das Américas.

A primeira medalha do país obtida por alguém acima dos 30 veio hoje, a prata de Rodrigo Bastos, 35, no tiro (fossa olímpica).

Entre as estrelas da delegação, o primeiro "balzaquiano" começa a competir nesta segunda-feira. Em Santo Domingo, o hexacampeão mundial de iatismo, Robert Scheidt, 30, tenta o tricampeonato na classe laser.

A fórmula para seguir acumulando títulos? "É ter a alegria e a motivação de quem vai competir pela primeira vez. Só tive sucesso até hoje porque tenho prazer em velejar, isso compensa a pressão."

Ao menos por enquanto, o paulista descarta a hipótese de parar.
"Isso [idade] é relativo. Enquanto o corpo estiver em ordem e reagindo bem, vou seguir competindo", contou o iatista.

Para outros renomados atletas, porém, o Pan representa a última cartada. É o caso de Fernando Meligeni, 33, que vai pendurar as raquetes após a competição.

Após ficar por quase uma década entre os 100 melhores tenistas do planeta, Meligeni, que deve estrear na terça, busca brigar pelo ouro nas chaves simples e duplas. Depois, quer trabalhar como técnico em categorias de base.

O currículo recheado de triunfos também poderia render uma aposentadoria tranquila para Gustavo Borges, 30. Só que, com quatro medalhas olímpicas no peito, ele chega a Santo Domingo para perpetuar um recorde.

Em seu quarto e último Pan, quer ampliar a marca de 15 insígnias. Nenhum brasileiro subiu tantas vezes no pódio dos Jogos.

"Sempre fiz os índices e conquistei minha vaga na piscina. Nunca dependi de convites ou de favores. Estou no Pan porque ainda sou um dos melhores", disse.

Outro que pretende deixar Santo Domingo com o nome na história é o mesa-tenista Hugo Hoyama, 34, que, como Borges e Claudio Kano, tem sete ouros em Pan. Busca angariar mais dois e treinar para 2004. "Quero ir à Olimpíada. Depois, não sei como será. Tenho de começar a pensar mais no lado profissional e, para isso, teria de diminuir os treinos."

Para Maurício, outro trintão acostumado a conquistas, uma vitória no Pan terá um sabor diferente. Campeão mundial e olímpico, o levantador de 35 anos, que estréia nesta segunda-feira, nunca subiu ao pódio no evento. Deve ter a última chance.
 

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