Esporte
19/08/2003 - 20h15

Duplas de vôlei de praia do Pan rebatem críticas do COB

da Folha de S.Paulo

As críticas do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro irritaram as duplas de vôlei de praia que foram ao Pan de Santo Domingo. Nesta terça, em duas cartas públicas, elas responderam às declarações do dirigente, que classificaram como "falta de consideração" e "deselegantes".

No balanço final da participação do país nos Jogos, Carlos Arthur Nuzman disse que o desempenho do vôlei ficou aquém do esperado e ameaçou cortar parte da verba da Lei Piva recebida pela modalidade. As principais culpadas teriam sido as duplas da areia.

Os líderes do ranking nacional não foram ao Pan porque disputavam o Circuito Mundial, classificatório para Atenas-2004.

Ana Richa e Larissa se sentiram injustiçadas pelo dirigente. "Todos têm suas medalhas de bronze comemoradas e nós fomos transformadas em vilãs", escreveram.

Paulo Emílio, dupla de Luizão, fez coro. "O senhor deveria ter mais cuidado ao dizer que o Brasil não foi bem representado, pois conquistamos uma prata e um bronze. Tenho orgulho de ter ido à República Dominicana defender o Brasil e financeiramente não ganhei nada com isso", afirmou.

"Além disso, a participação dessas duplas [líderes do ranking] não seria garantia de medalha de ouro. Uma prova disso foi a própria seleção masculina."

A dupla feminina lembrou também das dificuldades de sua preparação. "Estamos pagando nossa viagem para o Mundial até agora. Nenhuma Lei Piva nos ajudou. Tudo o que ganhamos foram três bolas da CBV para cada uma".

Ana Richa/Larissa também reclamaram da omissão do presidente do COB em relação à má qualidade da areia no Pan.

"O senhor só tem razão em uma coisa: não houve vôlei de praia no Pan-Americano. Foi vôlei de coral. Usavam coral moído. O COB foi várias vezes inspecionar o local e era inadmissível permitir que usassem aquele chão."

Adriana Behar e Shelda, principais alvos de Nuzman por não terem ido ao Pan, também se manifestaram. As vice-campeãs em Sydney-2000 lembraram que tentaram mudar a data dos Jogos, mas não foram atendidas. E lembraram também que problema semelhante ocorreu em Winnipeg-1999, quando foram ouro.

"Só competimos porque o Eurico Miranda fretou um avião para que chegássemos a tempo."

Procurado pela Folha, o COB afirmou que não se manifestaria porque não havia recebido as cartas. O presidente da CBV, Ary Graça Filho, está viajando.
 

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