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09/11/2009 - 19h00

Felipão criou o apelido "Turma do Amendoim" no Palmeiras; leia trecho

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da Folha Online

Hoje, Luiz Felipe Scolari completa 61 anos. O treinador é um dos mais bem sucedidos do Brasil. Entre outros clubes, já passou pelo Grêmio, Palmeiras, Chelsea e Cruzeiro. Em Copas do Mundo, dirigiu a seleção brasileira em 2002 e a portuguesa em 2006. Atualmente, comanda o time do Bunyodkor, no Uzbequistão.

Akira Suemori/AP
Luiz Felipe Scolari quando ainda estava no comando do inglês Chelsea
Luiz Felipe Scolari quando ainda estava no comando do inglês Chelsea

No livro "Os 11 Maiores Técnicos do Futebol Brasileiro" (Editora Contexto, 2009) o jornalista Maurício Noriega incluiu o comandante de descendência italiana em sua "seleção" de treinadores. No capítulo dedicado a ele, o comentarista do SporTV e do Bom Dia São Paulo, da TV Globo, revela, entre outras histórias, bastidores das conquistas da Libertadores pelo Grêmio e pelo Palmeiras. Ele conta como Felipão forjou jogadores machucados para esconder o jogo do adversário com o time gaúcho e de que forma respondeu às críticas do então ministro da Saúde José Serra ao clube alviverde.

Abaixo, leia um trecho do capítulo que fala sobre o ex-zagueiro e atual treinador Luiz Felipe Scolari.

*

"Bota o gesso, Arce!"

Depois de resistir a várias propostas do Japão, Felipão acabou aceitando uma e deixou o Grêmio após a conquista do Brasileirão de 1996, vencendo a Portuguesa por 2 a 0 no Olímpico. Essa conquista foi exemplar no que se refere aos métodos do treinador e seus incríveis artifícios. Após a derrota para a Portuguesa por 2 a 0 no primeiro jogo da decisão, no Morumbi, Felipão sentiu que precisava fazer algo. Mexer com seu time e jogar a responsabilidade para o adversário. Muitos de seus jogadores estavam contundidos, a maioria com problemas leves, de fácil solução. Mas o treinador armou um cenário desolador.

Nos primeiros treinamentos da semana no campo suplementar do estádio Olímpico parecia que o Grêmio tinha voltado de uma guerra. Felipão mandou que alguns jogadores nem fossem a campo e pediu ao atacante Paulo Nunes que sentasse ao lado dos jornalistas com uma bolsa de gelo no pé direito.

- Tá doendo muito, acho que não vai dar - repetia Paulo Nunes a cada pergunta da imprensa.

- Assim vai ser difícil juntar 11 para entrar em campo - choramingava Felipão.

Puro teatro. Mas o ponto alto da encenação envolveu o lateral-direito paraguaio Arce, um dos melhores do time, com seus cruzamentos perfeitos. Felipão mandou o médico do clube fazer uma bota de gesso para o pé direito de Arce, que estava 100%.

- Tu sobes lá e passa na frente dos fotógrafos - ordenou o treinador.

Com dificuldades óbvias para se locomover, graças ao gesso de mentirinha, Arce impressionou ao ponto de a imprensa cravar sua ausência na final. O argumento oficial era de que o lateral faria tratamento intensivo até o dia do jogo. Mas Arce foi enviado secretamente a um clube próximo de Porto Alegre, onde ficou treinando sozinho, aprimorando os cruzamentos.

No dia da decisão, Arce jogou muito e Paulo Nunes fez o primeiro dos dois gols do título gremista.

Calando o ministro e a Turma do Amendoim

Campeão brasileiro, Scolari foi treinar o Jubilo Iwata, no Japão, e voltou ao Brasil na metade de 1997, apresentado como novo treinador do Palmeiras. Sua missão: levar o time à desejada conquista da Libertadores da América. Felipão teve muitos problemas ao chegar a São Paulo. Primeiro por ter mentido quanto à negociação. Segundo porque, acostumado à dualidade Inter e Grêmio, achava que em São Paulo acontecia o mesmo: ou as pessoas eram do Palmeiras ou contra o Palmeiras. Teve discussões e até agrediu jornalistas. Protagonizou uma grande polêmica quando em uma palestra sua foi flagrado por microfones de tv revelando que pedia para os jogadores do Palmeiras chegarem mais duro em Edílson, do Corinthians, com termos pra lá de obscenos. Mas incendiou o time para a semifinal da Libertadores de 2000, e o Palmeiras, que era mais fraco, eliminou o Corinthians.

Também houve polêmicas de alto escalão que ajudaram a aprimorar o estilo Felipão. Após uma derrota do Palmeiras no estádio Palestra Itália, o então ministro da Saúde José Serra, palmeirense fanático, mostrou seu lado corneteiro [Havia uma fábrica de instrumentos musicais chamada Corneta perto do Palestra Itália. Nos intervalos de almoço, os funcionários se divertiam vendo os treinos do Palmeiras. Muitos ironizavam os jogadores a cada erro. Daí surgiu o apelido "corneteiro" para os torcedores do Palmeiras, normalmente muito exigentes com os jogadores do time] e desfilou críticas ao trabalho de Scolari. O treinador, direto como sempre, não economizou na resposta:

- O ministro deveria cuidar da Saúde no Brasil, que anda precária. Ainda bem que tenho um bom plano.

O treinador ainda atualizou o vocabulário comportamental dos palmeirenses. Tradicionalmente, os torcedores mais chatos do Verdão são chamados de corneteiros. Irritado com a perseguição de alguns deles, que ficavam nas cadeiras sociais, Felipão chamou-os de Turma do Amendoim, revelando o petisco preferido dos críticos. O apelido pegou.

Polêmicas à parte, Felipão passou pelo Parque Antártica como havia passado pelo Olímpico: colecionando troféus. Foi campeão da Copa do Brasil e da Copa Mercosul em 1998, venceu a Libertadores de 1999 e o Rio-São Paulo de 2000. Só saiu após a derrota para o Boca Juniors na final da Libertadores de 2000. Há quem diga que a conquista palmeirense na Copa dos Campeões de 2000, comandada pelo fiel escudeiro de Felipão, Murtosa, foi, na verdade, o último título de Scolari no Palmeiras, tamanha sua influência no clube. A passagem do treinador pelo Palmeiras mudou o perfil do clube, do time e da torcida. Acostumados a times sofisticados, de toque de bola refinado, os palmeirenses aprenderam a admirar equipes mais raçudas. O estádio Palestra Itália se transformou num alçapão, e a torcida promovia autênticas procissões para acompanhar os jogos da Libertadores. A exemplo do que fizera no Grêmio, Felipão se tornou sócio do Palmeiras e aprendeu a gostar do clube, muito por causa das raízes italianas de ambos. Até hoje mantém contato com os dirigentes e é ouvido antes de contratações de técnicos e jogadores, como um consultor importante. A exemplo do que acontece com o Grêmio. Houve problemas com jornalistas, mas Felipão também construiu sólidas amizades com alguns dos que cobriam sua trajetória em São Paulo e chegava até a ajudar a conseguir emprego para repórteres no sul quando havia cortes nas emissoras de rádio paulistas.

Uma de suas principais características ficou marcada após os tempos de Palmeiras. Felipão sabe como poucos dissimular quando o assunto não lhe convém. Vejamos, por exemplo, a reprodução de um diálogo corriqueiro nas entrevistas coletivas na Academia do Palmeiras, em dias de humor tipicamente "scolariano":

- Felipão, o que você acha do time adversário?

- Bah! Não acho nada, não tenho sorte.

- Mas Felipão, você não acha que o time que vai enfrentar o Palmeiras tem a defesa fraca?

- Humpf. Isso é tu que estás dizendo.

*

"Os 11 Maiores Técnicos do Futebol Brasileiro"
Autor: Maurício Noriega
Editora: Contexto
Páginas: 256
Quanto: R$ 35
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha..

 

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