Esporte
24/08/2004 - 15h44

Behar e Shelda vêem reprise de 2000 e conquistam a segunda prata seguida

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da Folha Online

A lembrança é inevitável. Assim como na decisão de Sydney-2000, as brasileiras Adriana Behar e Shelda perderam na final do vôlei de praia dos Jogos de Atenas e fracassaram em sua segunda tentativa de obter o ouro olímpico.

Dessa vez, as norte-americanas Kerri Walsh e Misty May foram as responsáveis pela decepção, apesar de a prata ter sido a primeira medalha conquistada por mulheres do Brasil na Olimpíada grega. Elas massacraram as brasileiras com facilidade na final. Em 42 minutos, fizeram 2 sets a 0, com parciais de 21/17 e 21/11, e chegaram à sétima vitória seguida sobre as rivais, a quarta em 2004.

Na Austrália, há quatro anos, a dupla do Brasil havia falhado na disputa pelo lugar mais alto do pódio diante das anfitriãs Natalie Cook e Kerri-Ann Pottharst.

Apesar do revés, as brasileiras aceitaram bem a situação, ao contrário do que aconteceu na primeira oportunidade perdida, quando chegaram a chorar a perda do ouro. "A gente é a única dupla que chegou a duas finais consecutivas. Estou superfeliz, apesar da derrota. Pode ter certeza que está só um pouquinho triste mas muito feliz", disse Shelda, ao final do jogo.

"Mais uma vez a gente mostrou que tem condições. É difícil ficar alegre, mas é mais uma medalha que a gente está levando" analisou Adriana Behar.

Com a derrota, o vôlei de praia do Brasil manteve, em parte, a má fama de "pipocar" nos momentos decisivos em Olimpíadas --depois da primeira e única medalha de ouro do país na modalidade, a única também conquistada por mulheres entre todos os esportes, com Jacqueline/Sandra, em Atlanta-96, os brasileiros foram prata duas vezes em Sydney.

Além de Adriana Behar e Shelda, Ricardo e Zé Marco também tropeçaram naquela oportunidade. Agora jogando ao lado de Emanuel, Ricardo também terá chance de se redimir da derrota na final da Olimpíada passada. A dupla masculina do Brasil decide o ouro nesta quarta-feira, contra os espanhóis Javier Bosma/Pablo Herrera.

Nesta terça, as brasileiras foram completamente dominadas no primeiro set, em que não estiveram nenhuma vez à frente no placar --graças, em grande parte, ao bom bloqueio de Walsh.

A dupla do Brasil equilibrou o jogo no início segunda parcial e chegou a liderar, mas logo permitiu a virada das norte-americanas, que atacaram e defenderam melhor. No final, Walsh e May abriram larga vantagem.

Antes da final, as brasileiras chegaram a vencer rivais fortes. Nas semifinais, elas bateram as australianas Natalie Cook (que tirou o ouro de Behar e Shelda há quatro anos) e Nicole Sanderson.

Nas quartas, Adriana Behar e Shelda derrotaram as compatriotas Ana Paula/Sandra por 2 sets a 1 (15/21, 21/13 e 15/13), no último domingo --o sorteio colocou as brasileiras na mesma chave nos mata-matas e impediu a possibilidade de uma decisão 100% nacional, como ocorreu em Atlanta, quando a própria Sandra, com Jacqueline, bateu Adriana Samuel e Mônica.

Apesar do revés, o Brasil manteve-se em Atenas como o país que mais ganhou medalhas no vôlei de praia em Olimpíadas: amealhou sua sétima medalha olímpica na história do esporte (possui agora um ouro, quatro pratas e um bronze, além de já ter garantido, no mínimo, outra prata com Ricardo e Emanuel que disputam a final masculina, na quarta).

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