Saltar para o conteúdo principal

Publicidade

Publicidade

 
 
  Siga a Folha de S.Paulo no Twitter
27/08/2004 - 05h47

Daiane dos Santos diz que, apesar de forçarem, não irá chorar

Publicidade

da Agência Folha, em Curitiba

A emoção que Daiane dos Santos, 21, conseguiu controlar após a apresentação com falhas que a tirou do pódio na segunda-feira, em Atenas, deu lugar ao desabafo. Ela disse ontem, em Curitiba, que estava com "muita raiva", mas que não iria chorar.

Daiane, as ginastas Daniele Hypólito, Camila Comin, Ana Paula Rodrigues, Caroline Molinari e Laís Silva e a chefe de equipe brasileira, Eliane Martins, desfilaram em carro do Corpo de Bombeiros do aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, até o hotel Rayon, no centro de Curitiba.

A volta sem medalha --ela viajou para Atenas como favorita no solo e obteve o quinto lugar-- não tirou de Daiane o brilho de estrela. Ela era apontada por quem parou para ver o desfile e concentrou a atenção dos jornalistas durante a entrevista.

Daiane contou que a perda da medalha despertou sua raiva só depois da quarta pergunta sobre se não tinha chorado, mesmo sozinha, depois de frustrado o sonho de vencer nesta Olimpíada.

Suas respostas provocaram aplausos de familiares das atletas e funcionários do hotel que assistiram à entrevista. "Eu não entendo essa coisa de chorar", afirmou a ginasta, sobre a insistência da imprensa no assunto.

Na quarta pergunta, ela fez um desabafo. "Claro que fiquei com raiva. Você acha que não fiquei com raiva? Não foi raiva de ninguém, mas de mim mesma: poxa, quem errou fui eu. Eu sabia que poderia ter conseguido e não consegui uma medalha. E você sabe o quanto isso é importante não só para você, mas para milhares de pessoas que estão te assistindo e milhares de pessoas que trabalharam com você", declarou.

"Mas, mais importante do que para todo mundo, é para você que treinou. Imagine como você se sente, se poderia ter sido campeã olímpica e não foi? Óbvio, eu poderia ter me derretido chorando, mas não, não chorei. Estou morrendo de raiva, mas quero treinar muito, muito mesmo, e só isso que vou fazer agora."

Daiane ainda disse que acredita ter "puxado isso", o fato de não chorar, de sua mãe. "Ela é assim. Meu pai também. Acho que isso vem de família. Estou com muita raiva mesmo, estou puta da cara porque não consegui, mas não vou chorar, e acho que é mais porque as pessoas querem que eu chore. E eu não vou chorar e acabou", finalizou Daiane.

As ginastas foram homenageadas com um almoço do qual familiares também participaram. Antes, ao chegar, as garotas foram recebidas com tapete vermelho, duo de pistom e coro de funcionários do hotel.

"Tenho muito orgulho dela. Estou maravilhada", disse Maria Verônica Bezerra dos Santos, 37, camareira que colocou no pescoço de Daiane uma medalha simbólica. Ela ergueu a ginasta quando a abraçou.

Especial
  • Leia o que já foi publicado sobre Daiane dos Santos
  • Leia mais notícias no especial dos Jogos Olímpicos-2004
  •  

    Publicidade

    Publicidade

    Publicidade


     

    Voltar ao topo da página