Esporte
06/05/2005 - 09h31

Passarella vê complô de jogadores para derrubá-lo

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EDUARDO ARRUDA
da Folha de S.Paulo

De um lado está o argentino Daniel Passarella. Do outro, a maioria dos jogadores do Corinthians.

No meio da queda-de-braço, Kia Joorabchian, presidente da MSI, que é quem dará o veredicto final sobre a permanência ou não do técnico no Parque São Jorge.

Após a derrota para o Figueirense, na quarta-feira, que eliminou o time da Copa do Brasil, os corintianos racharam de vez.

A Folha apurou que a maior parte dos atletas perdeu a confiança no chefe e quer a sua degola. E o treinador já confidenciou a pessoas próximas que detectou o "motim". Ele crê que faltou vontade a muitos deles no Sul.

O grupo que quer a saída de Passarella não perdoa o fato de ele ter afastado Fábio Costa dois dias antes do duelo com os catarinenses. Os líderes do time, como o zagueiro Betão, avaliam que o episódio abalou emocionalmente o elenco. O goleiro transita bem em todas as "panelas". Com o banimento, muitos jogadores, como Roger, passaram a acreditar que poderiam ter o mesmo destino.

A gota d'água para o racha foi a saída de Roger e Betão da equipe titular que enfrentou o Figueirense. Os dois só ficaram sabendo que estavam fora do time no dia da partida, ao serem relacionados para treinar pela manhã com os reservas em Florianópolis.

"Uma equipe forte tem que ter jogadores técnicos e voluntariosos. Eu sempre espero, me esforço e me dedico para jogar", afirmou o meia Roger, que tem sido perseguido pelo treinador sob a justificativa de que não segue as instruções do técnico para marcar.

O atleta já havia sido afastado por Passarella por dez dias com a alegação de que estava fora de forma. Ontem, Passarella afirmou que não escalou Roger como titular por "questões físicas".

"Ele estava voltando de contusão e pensei que seria mais importante nos 30 minutos finais do jogo", declarou o argentino.

"Eu estou muito bem fisicamente. Fui quem mais treinou nas últimas semanas", rebateu Roger.

Outro que sofreu nas mãos de Passarella foi o atacante Gil. Logo que o treinador chegou ao clube, em março, ele perdeu a posição de titular. Na quarta, começou o jogo, mas foi substituído por Bobô no segundo tempo.
Gil, que chegou a se desentender com o argentino Carlitos Tevez, o mais badalado do grupo, até ameaçou deixar o clube.

Nos vários grupos formados dentro do elenco corintiano, poucos jogadores são próximos de Passarella. Um deles é Tevez, que tem recebido a ajuda do técnico para retornar à seleção argentina.

Sempre que é questionado sobre o assunto, Passarella diz não entender como o atacante, que ele classifica entre os três melhores de seu país na atualidade, está fora do time de José Pekerman.

O outro argentino da equipe, o zagueiro Sebá, titular absoluto da zaga corintiana, também não faz restrições ao chefe.

O volante Marcelo Mattos é outro que se transformou em xodó do técnico. Passarella se encantou com o futebol do ex-jogador do São Caetano. Por ele, chegou até a criar um mal-estar com a MSI.

Disse a Kia Joorabchian que não seria necessário contar com o volante Mascherano, do River Plate. Considera um desperdício gastar US$ 15 milhões por um jogador que não é superior a Mattos.

Na quinta-feira, ainda em Florianópolis, os atletas corintianos disseram não ter conversado com o treinador. Passarella, que assumiu a responsabilidade pela derrota diante do Figueirense, também conversou com poucas pessoas.

Na viagem, o ombro amigo foi o auxiliar técnico Alessandro Sabella, que o conhece há 30 anos.

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