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  • - Dúvidas: Trema

    DÍLSON CATARINO
    especial para o Fovest Online


    Dúvida: Professor Dílson, um amigo me disse que o trema não existe mais; a minha professora de português disse que é mentira. Afinal o trema ainda existe ou não?

    Resposta: Leia a seguinte frase: "População não aguenta mais a sequência de sequestros". Tenho certeza de que leu a frase acima como deveria ler, sem deixar um som sequer de lado, não é mesmo? Leu agwenta, sekwência e sekwestro, pronunciando o "u" adequadamente. O problema, porém, não está na pronúncia, e sim na escrita. Muitos, como você, perguntam se é verdade que o trema foi abolido da língua portuguesa; a resposta é NÃO!

    O trema ainda existe e deve ser usado sempre que a pronúncia for kwe, kwi, gwe, gwi, como, por exemplo, nas palavras cinqüenta, qüinqüênio (período de cinco anos), qüinqüídio (período de cinco dias), tranqüilo, tranqüilidade, aqüífero, agüei, argüir, argüição, eqüidade, iniqüidade, ungüento, lingüiça, freqüente, etc.

    Há palavras que, em vez do trema, devem receber acento agudo no "u". É o caso de algumas formas verbais de "apaziguar, averiguar, obliquar, argüir e redargüir. Em "apaziguar, averiguar e obliquar" haverá o acento agudo nas pessoas "eu, tu, ele e eles" do presente do subjuntivo (que eu averigúe, que tu averigúes, que ele averigúe, que eles averigúem); em "argüir e redargüir" haverá o acento nas pessoas "tu, ele e eles" do presente do indicativo (tu argúis, ele argúi, eles argúem).

    A frase apresentada, deve, então ter o sinal gráfico denominado de trema em três palavras, ficando, assim, adequadamente estruturada:

    População não agüenta mais a seqüência de seqüestros...

    Agora é a sua vez. Teste seus conhecimentos com testes sobre o assunto:

    Até mais ver.

    OBS: A Folha de S.Paulo não usa o trema, exceto na grafia de nomes próprios e palavras estrangeiras, de acordo com normas do "Manual da Redação".

    DÍLSON CATARINO é professor de língua
    portuguesa e poeta. Ele leciona em Londrina (PR).

    Fale com o professor: dilster@uol.com.br


     

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