Folha Online Ilustrada  
Crítica
04/03/2003 - 08h54

Síntese de única imagem da China parece impossível

FELIPE CHAIMOVICH
crítico da Folha

A China é uma idéia abstrata. Ao percorrermos o vasto museu arqueológico em que se transformou a Oca do Ibirapuera, a síntese de uma única imagem parece impossível. Confrontamos de uma vez 7.000 anos de cultura material, produzida dentro de fronteiras que avançam e retrocedem, unificam-se e estilhaçam-se.

A mostra se divide em três grupos. O térreo apresenta coleções diversas, como armas, telhas e objetos funerários. Os dois andares superiores agrupam "Tesouros da Cidade Proibida": apetrechos vários da vida na corte durante a última dinastia, reinante entre 1644 e 1911. No subsolo estão as 12 esculturas dos guerreiros de XiAn de 221 a.C.

A ancestralidade é reverenciada desde o início. A exposição é aberta com exemplares do Neolítico produzidos antes das primeiras dinastias.

Yangshao é a mais antiga das culturas representadas. Data de 5000 a 3000 a.C., e dela veio uma bacia de cerâmica com pinturas de pássaro. Do mesmo berço surgiram os primeiros registros de escrita chinesa e os mais antigos instrumentos musicais.

Segue-se miríade de vitrines com incontáveis coleções. O térreo é subdividido em gabinetes de maravilhas, com uma museologia cuidadosa que abriga desde fileiras de conchinhas usadas como moeda (110-771 a.C.) até uma faca retangular de jade Longsham (3300-2000 a.C.).

Subindo as rampas, ascendemos ao ambiente palaciano da Cidade Proibida. No topo do edifício, vemos uma remontagem do trono imperial da época Qianlong (1736-1795), cercado de animais míticos: unicórnio, garça, elefante. A seleção, que se estende por dois pisos, mistura um biombo circular de mesa de jades branco e verde com um rolo quilométrico de pintura sobre seda que retrata a viagem do imperador Kangxi ao sul da China.

Descendo ao subsolo, encontramos 12 figuras de Xi'An. Integram um conjunto de milhares de guerreiros, cavalos e carroças, produzidos para um túmulo satélite do Imperador Qin Shi, cujo complexo mausoléu empregou 700 mil durante os 38 anos de sua construção.

As terracotas em tamanho natural enviadas ao Brasil são do século 3º a.C., exemplificando a variedade de poses e copiosidade de patentes representadas no exército fantasma.

A China propõe imagem sólida. O presente pós-dinástico afirma a continuidade de uma cultura dinâmica ao valorizar as ciências do passado.

Serviço

China: Os Guerreiros de Xi'An e os Tesouros da Cidade Proibida
Onde: pavilhão da Oca (av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 2, parque Ibirapuera, tel. 3253-7007)
Quando: de terça a sexta, das 9h às 21h; sábados e domingos das 10h às 21h. Até 18/5
Quanto: R$ 7 (R$ 3,50 para estudantes e grátis para menores de 6 anos, maiores de 65 anos e portadores de deficiência física). Durante o Carnaval os ingressos serão vendidos a R$ 1
Organização: BrasilConnects
Patrocinadores: Banco Santos, Janssen-Cilag Farmacêutica, Stefanini, Valor Econômico e Liderança Capitalização



Especial
  • Programe-se para visitar "Os Guerreiros de Xi'an"

       
  • Destaques

    OSCAR 2003 Guerra coloca realização da cerimônia do prêmio em xeque; veja especial

    "BIG BROTHER 3" Saiba o que acontece no dia a dia do "reality show" da Globo

    TEATRO Veja a programação do 12º Festival de Teatro de Curitiba

    EXPOSIÇÃO Faça um passeio virtual pela mostra da China que está em SP

    "BIG BROTHER 3" Saiba o que acontece no dia a dia do "reality show" da Globo


    NotíciasNoticias

    17/04/2003

    00h45 Ooops! bate recorde e agradece publicando e-mail de leitores

    00h19 Confira o resumo das novelas desta quinta-feira

    00h03 Clipe de Madonna reeditado após a guerra estréia segunda

    00h02 Madonna olha para o próprio umbigo em novo CD

    00h01 Folha Online estréia novo projeto gráfico


    Copyright Folha Online. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
    em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha Online.