18/12/2001
-
09h48
Beth Carvalho mantém a timidez em "Nome Sagrado"
PEDRO ALEXANDRE SANCHES da Folha de S.Paulo
"Nome Sagrado - Beth Carvalho Canta Nelson Cavaquinho" procura abranger todas as vertentes de temas que a cantora identifica no autor: os sambas sobre traição, generosidade, mulher, Mangueira e morte.
A clássica parceria com Guilherme de Brito (que também canta no CD, em "Pranto de Poeta") aparece em oito dos 20 sambas reunidos. Dois são praticamente inéditos: "Nem Todos São Amigos" e "Cheira a Vela" (só gravada pela Velha Guarda da Mangueira, num disco que não foi lançado comercialmente).
O time de músicos reunidos é de sonho, com Altamiro Carrilho, Dino Sete Cordas, Hamilton de Holanda, Arlindo Cruz, participações especiais de Wilson das Neves, Conjunto Época de Ouro e Zeca Pagodinho e por aí afora. Com tais ingredientes, mais a voz quente de Beth e o empreendimento puramente artístico da gravadora Jam Music, tudo parece estar completo para fazer de "Nome Sagrado" um novo clássico da música popular brasileira.
Por uma razão que só os deuses devem conhecer, no entanto, não é exatamente isso que acontece. Trata-se de um disco exato, mas plano. Beth aparece compenetrada em Nelson, mas aprisionada em Nelson -não permite injetar em sua obra nuances, detalhes, surpresas, baforadas de ar.
Intérprete ideal para um dos maiores sambistas de todos os tempos, comporta-se, uma vez mais, como a jovem tímida de classe média que não tinha coragem de se aproximar do sambista negro, pobre, boêmio, bêbado e iluminado. Nelson Cavaquinho e Cartola (e todos os outros grandes) ainda esperam por Beth Carvalho. É, talvez a dívida ainda não esteja paga mesmo.
 Nome Sagrado Artista: Beth Carvalho Lançamento: Jam Music Quanto: R$ 14,90
|
|