17/10/2002
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02h50
Pessimismo marca fim da trilogia de Godfrey Reggio
AMIR LABAKI Articulista da Folha
"Naqoyqatsi" encerra a trilogia apocalíptica de Godfrey Reggio e Philip Glass. Tudo começou em 83, com "Koyaanisqatsi" ("Vida Desbalanceada"), e prosseguiu em 87, com "Powaqqatsi" ("Vida em Transição"), em parte rodado no Brasil.
O primeiro capítulo explorava, em imagens compressoras do tempo e com majestosa música minimalista, a aceleração e desumanização da vida contemporânea na sociedade industrial. No segundo, recorrendo à desaceleração das imagens, se denunciava a violência contra a natureza.
Quinze anos depois, eis Reggio e Glass voltando-se para a sociedade pós-industrial, marcada pelo progresso científico, pela militarização da cultura e pela globalização da informação. Este é, assim, o mais episódio pessimista.
O filme começa com a torre de Babel de Brueghel e se encerra com um homem perdido no espaço que cita tanto Kubrick ("2001") quanto Peleshian ("Nossa História"). Cenas de arquivo combinam-se com imagens manipuladas. Em estilo tradicionalmente associativo, aqui e ali flertando com o abstracionismo, estrutura o filme em prólogo, epílogo e quatro partes: o homem, a terra, o espaço e a violência.
Como em Marx, tudo que é sólido desmancha no ar no mundo do progresso desregrado de Reggio/Glass. Líderes políticos vêem tudo como modelos para um museu de cera. Bush filho, Lincoln e Arafat marcam presença. Bin Laden surge brevemente, caminhando entre seguidores, no turbilhão de imagens jornalísticas que confunde mais do que explica. Nada há, mais explícito, de 11 de setembro. Mas sua lógica macabra está aqui.
 Naqoyqatsi Direção: Godfrey Reggio Produção: EUA, 2002 Quando: em São Paulo hoje, às 22h20, no Unibanco Arteplex; amanhã, às 12h30, no Cinearte; sábado, às 14h55, no Unibanco Arteplex; e dia 27, às 22h10, no Cineclube DirecTV
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