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22/07/2001 - 21h06

Em noite de estréia, Elza Soares samba na orquestra em Campos

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MARCELO BARTOLOMEI
Editor de entretenimento da Folha Online

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O auditório Claudio Santoro se preparava para mais uma noite de concerto erudito, na estréia da Orquestra Sinfônica Jovem Tom Jobim, projeto do governo do Estado, durante o 32º Festival de Inverno de Campos do Jordão, mas a noite foi de samba e MPB.

Ricardo Migliorini

Elza Soares "desafia"
trompetista da Orquestra
Sinfônica Jovem Tom Jobim
Convidada para a estréia da orquestra, Elza Soares, classificada pela BBC de Londres como "a cantora do milênio", sambou "no miudinho" bem no meio dos músicos durante a apresentação, desafiando os novatos e marcando seu nome como o de "madrinha" da sinfônica.

Com isso, o nervosismo inicial deu lugar a uma apresentação rara, daquelas que a gente se orgulha em ver, com inversões de papéis no palco -como o maestro tocando piano- e novidades que os jovens músicos trazem para o cenário artístico.

Regida pelo maestro Roberto Sion, a Orquestra Sinfônica Jovem Tom Jobim surgiu graças à ULM (Universidade Livre de Música), do governo estadual de São Paulo, tem 43 músicos e foi criada oficialmente em 4 de julho passado. Com Elza Soares no palco e uma platéia cheia, estreou com o pé direito.

A orquestra começou a noite com "Nasce uma Orquestra", do próprio Sion. Depois, executou "Beatles Forever", juntando os maiores sucessos que passaram por "Yesterday" e "Hey Jude", entre outras. Fez sua terceira peça da noite com "Suíte dos Pescadores", de Dorival Caymmi.

Foi quando Elza Soares entrou no palco, com "Devagar com a Louça", vociferando suas palavras e fazendo seus arranjos vocais, parada em frente a um microfone. O quê? Elza Soares parada no palco? Não por muito tempo... Cantou a segunda, "Eu Sonhei que Tu Estavas Tão Linda" (Francisco Matoso e Lamartini Babo) e partiu para o que sabe fazer: sambar e divertir platéias com toda sua disposição.

Foi com "O Edmundo", versão concebida por Aluísio de Oliveira, que a coisa despachou de vez. "Deixa eu levantar esta saia", disse a cantora, devidamente coberta até as canelas por um longo vestido colorido, mas com o salto nas alturas. Entrou no espaço que antes pertencia aos músicos, quebrou o protocolo e sambou lá no meio, desafiou um trompetista e, com isso, deu à luz o talento da nova geração.

Seguindo o programa, Elza Soares cantou "Pra Dizer Adeus" (Edu Lobo e Torquato Neto), "Diz que Tem" e "Se Todos Fossem Iguais a Você". Em "Diz que Tem", os músicos da orquestra acompanharam Elza Soares repetindo o refrão. Em determinado momento, a cena vista da platéia era da cantora sambando ao lado do maestro, que regia a orquestra.

Ela fez um bis, mais uma vez acompanhada da orquestra, com a música mais irreverente da noite, "O Edmundo", voltando ao palco, sambando de novo "no miudinho", desafiando o trompetista pela segunda vez -que não se segurou com as "doidices" da cantora no palco e caiu na risada- e provocando uma verdadeira transformação no perfil "sisudo" da noite. O maestro, empolgado com o ritmo da apresentação, tomou a liderança do piano, e de lá comandava a bateria, a guitarra e a composição para fazer daquele o melhor momento da noite.

Devidamente batizada, a Orquestra Sinfônica Jovem Tom Jobim deve agora batalhar por um espaço mostrando o talento dos seus músicos e inovando sempre na junção do erudito e do popular. Sorte e sucesso à nova orquestra!

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