23/07/2001
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15h33
O museu que abriga a "Coleção Prinzhorn", em Heidelberg, na Alemanha, inaugura dia 13 de setembro um novo espaço para suas 5.000 obras, produzidas por doentes mentais. Do acervo completo do museu, que contém peças datadas de 1880 a 1933, apenas uma pequena parte será exposta ao público.
As obras reunidas em Heidelberg serviram de inspiração para vários artistas, entre eles Pablo Picasso, Paul Klee e André Breton. Hans Prinzhorn (1886-1933), médico e historiador da arte, compilou centenas de trabalhos feitos por seus pacientes, tendo publicado o livro que tornou-se referência básica nos círculos dadaístas e expressionistas da época, "Expressões da Loucura" (1922).
A "arte bruta" dos pacientes psiquiátricos era considerada pelos círculos literário-artísticos de então uma fonte autêntica de representação, livre das amarras que a sociedade, a educação e a civilização impõem.
Parte da coleção já passou por Nova York e Barcelona e deve seguir ainda para outras metrópoles fora da Alemanha.
No entanto, uma associação berlinense, intitulada "Círculo de Amigos Casa da Obstinação", vê no lugar do significado artístico da mostra de Heidelberg o teor político que a Coleção Prinzhorn carrega.
Segundo Ren Talbot, porta-voz da organização, o médido Prinzhorn era "nazista e anti-semita". Prova disso, segundo Talbot, é o fato do departamento psiquiátrico da Universidade de Heidelberg, onde trabalhava Prinzhorn, ter sido dirigido por Carl Schneider, um dos precursores dos programas de eutanásia no país, que matou 70 mil pacientes, em sua maioria doentes mentais, entre os anos de 1940 e 1941.
As obras expostas em Heidelberg, de acordo com Talbot, foram obtidas de pacientes executados dentro das dependências do hospital universitário: "E agora querem usar as obras das vítimas como peças de decoração".
A associação berlinense tem interesse em abrigar as obras no Museu da Eutanásia, em Berlim. A coleção Prinzhorn, de Heidelberg, ligada ainda hoje ao departamento psiquiátrico da universidade da cidade, não teria "o direito moral" de expor esses trabalhos, segundo Talbot.
O ponto de vista dos acusadores causou em Heidelberg revolta. O porta-voz da Universidade, Michael Schwarz, rejeita "com veemência" as denúncias.
Segundo ele, não existe nenhuma ligação entre Prinzhorn e a eutanásia, mesmo porque as mortes em Heidelberg comçaram vários anos após a morte do médico.
Muito pelo contrário, segundo Schwarz, Prinzhorn foi o primeiro a detectar um valor estético nos trabalhos dos pacientes psiquiátricos, posição contrária à dos nazistas. Ponto polêmico é, no entanto, o hino de louvor que Prinzhorn redigiu em homenagem aos nazistas no ano de sua morte.
Segundo historiadores da arte, não se deve, no entanto, reduzir todo o acervo de Heidelberg à questão da eutanásia durante o regime nazista.
Mesmo em meio a todas essas discussões, o novo "Museu da Coleção Prinzhorn", que será inaugurado em setembro, deve servir não só como uma mostra dos trabalhos produzidos por pacientes psiquiátricos, mas também como um espaço de reflexão sobre a arte que já foi chamada de bruta, outsider, psicopatológica e até mesmo degenerada, sem que qualquer desses rótulos conseguisse resumir a verdadeira "expressão da loucura" nela contida.
Arte feita por doentes mentais será exposta na Alemanha em setembro
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da Deutsche WelleO museu que abriga a "Coleção Prinzhorn", em Heidelberg, na Alemanha, inaugura dia 13 de setembro um novo espaço para suas 5.000 obras, produzidas por doentes mentais. Do acervo completo do museu, que contém peças datadas de 1880 a 1933, apenas uma pequena parte será exposta ao público.
As obras reunidas em Heidelberg serviram de inspiração para vários artistas, entre eles Pablo Picasso, Paul Klee e André Breton. Hans Prinzhorn (1886-1933), médico e historiador da arte, compilou centenas de trabalhos feitos por seus pacientes, tendo publicado o livro que tornou-se referência básica nos círculos dadaístas e expressionistas da época, "Expressões da Loucura" (1922).
A "arte bruta" dos pacientes psiquiátricos era considerada pelos círculos literário-artísticos de então uma fonte autêntica de representação, livre das amarras que a sociedade, a educação e a civilização impõem.
Parte da coleção já passou por Nova York e Barcelona e deve seguir ainda para outras metrópoles fora da Alemanha.
No entanto, uma associação berlinense, intitulada "Círculo de Amigos Casa da Obstinação", vê no lugar do significado artístico da mostra de Heidelberg o teor político que a Coleção Prinzhorn carrega.
Segundo Ren Talbot, porta-voz da organização, o médido Prinzhorn era "nazista e anti-semita". Prova disso, segundo Talbot, é o fato do departamento psiquiátrico da Universidade de Heidelberg, onde trabalhava Prinzhorn, ter sido dirigido por Carl Schneider, um dos precursores dos programas de eutanásia no país, que matou 70 mil pacientes, em sua maioria doentes mentais, entre os anos de 1940 e 1941.
As obras expostas em Heidelberg, de acordo com Talbot, foram obtidas de pacientes executados dentro das dependências do hospital universitário: "E agora querem usar as obras das vítimas como peças de decoração".
A associação berlinense tem interesse em abrigar as obras no Museu da Eutanásia, em Berlim. A coleção Prinzhorn, de Heidelberg, ligada ainda hoje ao departamento psiquiátrico da universidade da cidade, não teria "o direito moral" de expor esses trabalhos, segundo Talbot.
O ponto de vista dos acusadores causou em Heidelberg revolta. O porta-voz da Universidade, Michael Schwarz, rejeita "com veemência" as denúncias.
Segundo ele, não existe nenhuma ligação entre Prinzhorn e a eutanásia, mesmo porque as mortes em Heidelberg comçaram vários anos após a morte do médico.
Muito pelo contrário, segundo Schwarz, Prinzhorn foi o primeiro a detectar um valor estético nos trabalhos dos pacientes psiquiátricos, posição contrária à dos nazistas. Ponto polêmico é, no entanto, o hino de louvor que Prinzhorn redigiu em homenagem aos nazistas no ano de sua morte.
Segundo historiadores da arte, não se deve, no entanto, reduzir todo o acervo de Heidelberg à questão da eutanásia durante o regime nazista.
Mesmo em meio a todas essas discussões, o novo "Museu da Coleção Prinzhorn", que será inaugurado em setembro, deve servir não só como uma mostra dos trabalhos produzidos por pacientes psiquiátricos, mas também como um espaço de reflexão sobre a arte que já foi chamada de bruta, outsider, psicopatológica e até mesmo degenerada, sem que qualquer desses rótulos conseguisse resumir a verdadeira "expressão da loucura" nela contida.


