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Ilustrada
07/08/2001 - 13h04

Mostra aborda migração sob a perspectiva feminina em Bonn

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da Deutsche Welle

"Fuga, emigração e imigração", vistas sob a perspectiva feminina, é o tema central de uma exposição que o Museu das Mulheres (Frauenmuseum), em Bonn, inaugura no dia 14 de outubro.

A mostra, que traz obras de 44 artistas de várias nacionalidades, é dividida em vários módulos, entre eles "Emigração Alemã", que retrata a fuga da ex-Alemanha Oriental, "Expulsos do Leste Europeu após 1945", que retoma os processos migratórios decorridos após a Segunda Guerra Mundial, e "Imigrantes na Alemanha de Hoje".

A curadoria não procurou guiar-se por um fio documental, que pretende revelar a história de movimentos migratórios dentro e fora da Alemanha.

O critério de seleção da mostra passou mais pela escolha de 43 artistas mulheres, ao lado de apenas um artista plástico, que apresentam em suas trajetórias o tema da imigração como foco central. Segundo a curadora Gudrun Angelis, a maior parte dos trabalhos selecionados para a mostra são instalações, várias delas multimídias.

A carioca Leila Danziger, 39, trabalhou em seu "Nomes Próprios" o tema do holocausto e da memória. Leila viu-se confrontada com a temática ao visitar uma mostra sobre o extermínio dos judeus no Museu Histórico de Berlim, em 1994, na qual o nome de sua família aparecia 77 vezes.

A partir daí, a artista começou a refletir sobre o registro dos nomes judaicos, ausentes de pré-nomes, tendo desenvolvido uma instalação composta por mesas cobertas com fotos e documentos dissolvidos em betume e óleo de linhaça.

Os nomes registrados na instalação ganham uma estrutura concreta, passam a ser palpáveis, embora frágeis e sensíveis. A obra de Leila Danziger reflete assim a "estrutura da memória; uma memória instável, quebrada, precária, maleável, formada por camadas sobrepostas".

Também merece destaque a participação da artista iraniana, radicada em Nova York, Shirin Neshat. Seus vídeos e fotografias tornaram-se conhecidos em todo o mundo por denunciarem a discriminação contra as mulheres em nações islâmicas.

Na antológica série de auto-retratos "Mulheres de Alá (1993-1997)", Neshat une o véu islâmico a armas em punho, delegando assim metaforicamente poder à mulher no espaço público dos países muçulmanos. Neshat foi premiada, entre outros, na Bienal de Veneza de 1999.

A mostra "Ir-se embora - Fuga, Emigração e Imigração" poderá ser vista em Bonn até fevereiro do próximo ano e traz ainda três fotógrafas que retratam em seus trabalhos o dia-a-dia de crianças, estudantes e idosos estrangeiros dentro da Alemanha.

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