08/08/2001
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05h02
Além dos problemas circulatórios, Jorge Amado foi vítima nos últimos anos de uma forte depressão, que o afastou da literatura e da vida pública. O principal motivo foi uma doença na retina, com perda progressiva da visão.
"Ele não conseguia ler nem escrever, as duas coisas que mais gostava na vida. Também começou a ter dificuldades em reconhecer as pessoas, o que o deixava muito irritado", disse seu médico particular, Jadelson Andrade.
Embora já tivesse surgido há mais tempo, o problema na visão teria começado a se manifestar mais seriamente a partir do Carnaval de 1997. Amado preservou a visão periférica, mas perdeu quase totalmente a central, ou seja, podia ver ao redor, mas não podia se concentrar nos detalhes, o que o impedia de escrever.
A família chegou a comprar equipamentos para facilitar a leitura no momento de datilografar, mas o escritor acabou abandonando os planos de concluir um novo romance, já em fase avançada de gestação em 96.
O quadro depressivo também foi resultado dos remédios que necessitou tomar para controlar os problemas circulatórios.
Após a angioplastia e o agravamento do problema de visão, o escritor começou a se isolar cada vez mais do mundo exterior e passou a viver uma vida praticamente reclusa, cercado apenas de Zélia, parentes e amigos íntimos.
Segundo seu irmão Joelson, 80, nos últimos três anos, o escritor respondia a perguntas, mas não estabelecia conversação. "Ele reconhecia as pessoas, mas não era mais aquele homem que era o centro do mundo. Estava mais apagado, não falava quase nada."
Durante os últimos anos de vida, o escritor raramente saía de casa. A última viagem ao exterior ocorreu em 98, quando foi a Paris receber o título de doutor honoris causa pela Sorbonne.
A situação piorou bastante desde junho, quando ele permaneceu quase um mês internado no hospital Aliança, em Salvador, devido a uma crise de hiperglicemia [excesso de açúcar no sangue, em decorrência de diabetes" e a distúrbios circulatórios.
"Cada vez que saía do hospital, Jorge saía mais debilitado. Da última vez, só andava ajudado por Zélia e não se alimentava mais sozinho", disse James Amado, 79, irmão caçula do escritor. "Todo mundo esperava [a morte dele]. O país inteiro esperava."
Leia mais notícias sobre a morte de Jorge Amado
Depressão afastou Jorge Amado do mundo e da literatura
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da Folha de S. Paulo, em SalvadorAlém dos problemas circulatórios, Jorge Amado foi vítima nos últimos anos de uma forte depressão, que o afastou da literatura e da vida pública. O principal motivo foi uma doença na retina, com perda progressiva da visão.
"Ele não conseguia ler nem escrever, as duas coisas que mais gostava na vida. Também começou a ter dificuldades em reconhecer as pessoas, o que o deixava muito irritado", disse seu médico particular, Jadelson Andrade.
Embora já tivesse surgido há mais tempo, o problema na visão teria começado a se manifestar mais seriamente a partir do Carnaval de 1997. Amado preservou a visão periférica, mas perdeu quase totalmente a central, ou seja, podia ver ao redor, mas não podia se concentrar nos detalhes, o que o impedia de escrever.
A família chegou a comprar equipamentos para facilitar a leitura no momento de datilografar, mas o escritor acabou abandonando os planos de concluir um novo romance, já em fase avançada de gestação em 96.
O quadro depressivo também foi resultado dos remédios que necessitou tomar para controlar os problemas circulatórios.
Após a angioplastia e o agravamento do problema de visão, o escritor começou a se isolar cada vez mais do mundo exterior e passou a viver uma vida praticamente reclusa, cercado apenas de Zélia, parentes e amigos íntimos.
Segundo seu irmão Joelson, 80, nos últimos três anos, o escritor respondia a perguntas, mas não estabelecia conversação. "Ele reconhecia as pessoas, mas não era mais aquele homem que era o centro do mundo. Estava mais apagado, não falava quase nada."
Durante os últimos anos de vida, o escritor raramente saía de casa. A última viagem ao exterior ocorreu em 98, quando foi a Paris receber o título de doutor honoris causa pela Sorbonne.
A situação piorou bastante desde junho, quando ele permaneceu quase um mês internado no hospital Aliança, em Salvador, devido a uma crise de hiperglicemia [excesso de açúcar no sangue, em decorrência de diabetes" e a distúrbios circulatórios.
"Cada vez que saía do hospital, Jorge saía mais debilitado. Da última vez, só andava ajudado por Zélia e não se alimentava mais sozinho", disse James Amado, 79, irmão caçula do escritor. "Todo mundo esperava [a morte dele]. O país inteiro esperava."
Leia mais notícias sobre a morte de Jorge Amado


