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26/09/2001 - 15h34

Veja as versões mais famosas de "Carmen" no cinema

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JOÃO BONTURI
especial para a Folha Online

O personagem Carmen, da ópera de Bizet, já foi vivido mais de 30 vezes no cinema. Veja a seguir as versões mais famosas:

Rita Hayworth (1948)

A mulher fatal "Gilda" (1946), transformou Rita na "Deusa do Amor" e símbolo sexual do pós-guerra. Na esteira desse sucesso, ela encarnou a cigana em "Os Amores de Carmen" (1948), do diretor Charles Vidor.

Apesar de não ter alcançado o sucesso de "Gilda", Rita fez uma glamourosa Carmen loura, com Glenn Ford como Don José. Ambientado no início do século 19, o filme segue mais o conto de Mérimée do que a ópera.

O ponto alto da participação de Rita está nas danças coreografadas por seu pai, Eduardo Cansino. O que lhe faltou como atriz foi compensado pela bailarina.

Glenn Ford considera "Os Amores de Carmen" como um dos piores filmes da sua carreira.

Nesta versão, após liquidar Carmen, Don José é morto com um tiro por um soldado.

Carlos Saura (1983)

Esta é a mais espanhola das versões de "Carmen". O bailarino e coreógrafo Antonio Gades produz e dirige uma adaptação da obra para o bailado flamenco. Na busca da estrela para o papel principal, encontra Carmen (Laura del Sol), que não é uma bailarina brilhante, mas o encanta e fascina.

Saura utiliza o recurso da peça dentro da peça e desenvolve a paixão em meio aos ensaios cuja parte feminina é comandada por Cristina Hoyos, uma das melhores bailarinas de flamenco de todos os tempos.

As danças sensuais, com movimentos refinados das mãos e dos braços, acompanhados do sapateado, ao som da trilha de Paco de Lucia, entremeada com árias extraídas da gravação mais passional da ópera, com Regina Resnik e Mario Del Monaco, criam uma atmosfera tensa e emocionante que poucos musicais provocam.

No filme destaca-se a angústia crescente de Antonio, que custa a acreditar que vivencia uma experiência semelhante ao enredo do espetáculo que ensaia.

Antonio surpreende Carmen fazendo sexo com um bailarino no guarda-roupa dos camarins e também trava um duelo de dança com o marido dela, que saiu da prisão. Na cena final, ele mata Carmen na porta dos camarins, sem que o corpo de baile presencie a cena.

Antonio Gades é um Don José sem antecedentes ou envolvimentos criminais e o assassinato de Carmen é puramente passional.

Francisco Rosi (1984)

Com um elenco liderado por Placido Domingo (Don José), Julia Migenes-Johnson (Carmen), Ruggero Raimondi (Escamillo) e Faith Esham (Micaela), sob a regência de Lorin Maazel, esta versão filmada da ópera agrada aos apreciadores do gênero.

Realizado em locações na Espanha, o filme tem um colorido impressionista e cenas espetaculares de touradas. A mezzo-soprano Migenes-Johnson não é tão bonita quanto Rita Hayworth, mas isso é o de menos. Ótima atriz, ela dá um sabor latino ao papel, esbanja sedução e vai além dos limites de uma encenação operística, aproveitando os recursos cinematográficos.

Os demais cantores estão com suas vozes no auge e são adequados fisicamente aos papéis. A bailarina Cristina Hoyos, que trabalhou com Gades e Saura, também dança nesta versão.

A ação se desenrola na primeira metade do século 19, de acordo com a encenação tradicional, e inclui os diálogos entre as melodias, que nem sempre são apresentados nos teatros, pois "Carmen" foi composta para o Opéra Comique de Paris, que exigia essa formalidade de todos os compositores. O filme é nota 10, de ponta a ponta.

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