01/12/2001
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08h32
da Folha de S. Paulo
Entre 1965 e 1970, no ápice da contracultura, o mercado de discos nos Estados Unidos passou de US$ 862 milhões ao ano para US$ 1,8 bilhão. O salto, de 109% em cinco anos, foi um dos mais espetaculares do século 20.
Para quem acha que os anos 60 só produziram românticos revolucionários, guerrilheiros maoístas, hippies alérgicos a trabalho e sexo livre, eis a surpresa: o mercado transformou tudo em produto e faturou como nunca.
Foram os Beatles que puxaram essa onda de consumo. O melhor exemplo é a parada americana de 31 de janeiro de 1964: os cinco primeiros lugares eram deles, fenômeno que nunca mais se repetiria.
A provocação feita por John Lennon em 1966 ("somos mais populares do que Jesus Cristo") é o melhor sinal da embriaguez e do embasbacamento provocados pela vendagem sem paralelo.
Foram os Beatles, também, que ajudaram a criar um novo tipo de mercado para a música pop: aquele em que a mística da contestação vale tanto quanto o som.
Os Rolling Stones só acrescentaram um viés mais assustador, como a propaganda que faziam dos negros marxistas dos Panteras Negras, porque tinham que cumprir um papel diferente: deveriam parecer mais perversos, mais sexualizados, mais drogados.
Justiça seja feita: foram os próprios Beatles que inauguraram a cena de expor o mal-estar causado pelo comércio do que julgavam ser contestação. A troca do terninho mod por cabelos e barbas desgrenhados é o símbolo mais óbvio desse mal-estar.
O subtexto da mudança visual é mais ou menos óbvio: já que me transformaram em mercadoria, a ofensa suprema para hippies e revolucionários românticos, você vai ter de me engolir do jeito mais insuportável possível. O fim dos Beatles foi o fim desse jogo.
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Mario Cesar Carvalho: Mercado faturou como nunca com os Beatles
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MARIO CESAR CARVALHOda Folha de S. Paulo
Entre 1965 e 1970, no ápice da contracultura, o mercado de discos nos Estados Unidos passou de US$ 862 milhões ao ano para US$ 1,8 bilhão. O salto, de 109% em cinco anos, foi um dos mais espetaculares do século 20.
Para quem acha que os anos 60 só produziram românticos revolucionários, guerrilheiros maoístas, hippies alérgicos a trabalho e sexo livre, eis a surpresa: o mercado transformou tudo em produto e faturou como nunca.
Foram os Beatles que puxaram essa onda de consumo. O melhor exemplo é a parada americana de 31 de janeiro de 1964: os cinco primeiros lugares eram deles, fenômeno que nunca mais se repetiria.
A provocação feita por John Lennon em 1966 ("somos mais populares do que Jesus Cristo") é o melhor sinal da embriaguez e do embasbacamento provocados pela vendagem sem paralelo.
Foram os Beatles, também, que ajudaram a criar um novo tipo de mercado para a música pop: aquele em que a mística da contestação vale tanto quanto o som.
Os Rolling Stones só acrescentaram um viés mais assustador, como a propaganda que faziam dos negros marxistas dos Panteras Negras, porque tinham que cumprir um papel diferente: deveriam parecer mais perversos, mais sexualizados, mais drogados.
Justiça seja feita: foram os próprios Beatles que inauguraram a cena de expor o mal-estar causado pelo comércio do que julgavam ser contestação. A troca do terninho mod por cabelos e barbas desgrenhados é o símbolo mais óbvio desse mal-estar.
O subtexto da mudança visual é mais ou menos óbvio: já que me transformaram em mercadoria, a ofensa suprema para hippies e revolucionários românticos, você vai ter de me engolir do jeito mais insuportável possível. O fim dos Beatles foi o fim desse jogo.
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