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Ilustrada
14/06/2002 - 10h25

Nova York abriga chances de burlar indústria do entretenimento

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SÉRGIO DÁVILA
da Folha de S.Paulo, em Nova York

Num passeio pelas ruas de Manhattan em qualquer dia da semana, em qualquer mês do ano, o pedestre tromba com pelo menos meia dúzia de oportunidades para colaborar com a pirataria da indústria do entretenimento.

Na esquina da Quinta Avenida com a rua 57, entre barracas de nigerianos que vendem falsas bolsas Prada, dá para comprar por US$ 4 cópias em VHS do novo episódio de "Star Wars", ainda em cartaz nos cinemas da cidade com ingressos a US$ 10.

Descendo um pouco para o sul, nos estandes da saída do metrô na Union Square, um CD-ROM com o novo software Windows XP não sai por mais de US$ 15 (e funciona). Na loja em frente, US$ 199,99 é o custo oficial.

Dez quarteirões para a frente, ironicamente bem em frente à Tower Records da Broadway, um sujeito vende DVDs com o recente "Homem-Aranha", de Sam Raimi, também ainda em cartaz, por US$ 10. Essa é a realidade, e vai piorar.

O culpado é uma sigla, na verdade, um sistema de compressão para vídeos que não é novo, mas nunca tinha sido utilizado em larga escala: o MPEG-4 ou MP4. O padrão faz pelas imagens em movimento o mesmo que o MP3 faz pelas músicas (e contra a indústria), sem ocupar tanto espaço.

Assim, você grava em DVD o último episódio do seriado "Friends" nos Estados Unidos, transfere para seu computador e manda por e-mail para seu amigo no Brasil como MP4. Aí, ele grava em CD ou DVD e distribui para os amigos dele. Ou mantém o arquivo acessível para quem quiser ver em seu site.

Está sentindo o cheiro de um Napster de vídeos? É isso mesmo. Pelo menos um website entre vários já ensaia esse futuro: www.kazaa.com.
 

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