Livreiro de Cabul diz que vai levar escritora norueguesa aos tribunais
da Efe, em Copenhague
Shah Muhammad Rais, o homem que inspirou "O Livreiro de Cabul", um retrato literário da sociedade afegã que obteve sucesso mundial, disse que vai levar aos tribunais a autora da obra, a jornalista norueguesa Asne Seierstad, após o fracasso, hoje, da tentativa de acordo no Tribunal de Conciliação de Oslo.
| Divulgação |
![]() |
| Escritora e homem que inspirou livro não chegaram a um acordo hoje na Noruega |
Rais disse que vai processar Seierstad por violação da vida privada. Ela e a editora Cappelen se negaram a fazer um pedido de desculpas e a pagar a ele uma compensação econômica pelos problemas familiares que o livro teria causado.
Seierstad e a editora ofereceram doar 500 mil coroas norueguesas a uma nova fundação dedicada a promover a literatura afegã, com direção escolhida pela jornalista e pelo livreiro.
"A oferta não inclui nenhum pedido de desculpas, nenhum dinheiro para a família e determina que a própria Asne Seierstad deverá encontrar os meios para a fundação. É muito inocente e irreal", disse o advogado de Rais, Per Danielsen, à agência norueguesa "NTB".
A escritora afirmou que a proposta é um reconhecimento do trabalho do livreiro em prol da cultura e da literatura afegãs.
Seierstad foi correspondente em Moscou, China, Kosovo, Iraque e Afeganistão. Ela passou alguns meses na casa de Rais para elaborar a história de um livreiro de Cabul chamado Sultan Kan. O personagem do livro é retratado como um defensor da liberdade de expressão, mas que, em casa, segue as regras do fundamentalismo islâmico.
O livro foi publicado no segundo semestre de 2002 e se tornou em um best-seller mundial. O livreiro afegão afirma que a obra lhe trouxe graves problemas. Uma de suas mulheres fugiu para a Noruega e lá pediu asilo, levando com quatro de seus filhos. A outra foi para o Canadá com outro filho.
No ano passado, Rais publicou sua versão da história, intitulada "Eu Sou o Livreiro de Cabul", editado no Brasil pela Bertrand Brasil. O livro de Asne é editado no Brasil pela Record.
Leia mais
- "Cartas de Herat" retrata Afeganistão como belo e questiona best-seller
- Caça-níquel sobre a Guerra do Iraque entra no ranking de livros
Especial


