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Ilustrada
14/06/2007 - 17h38

Confidências de meninas da Daspu traçam trajetória da profissão

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DAYANNE MIKEVIS
da Folha Online

Em épocas de São Paulo Fashion Week, a Daspu resolveu aparecer em "novas praias". Desta vez as "meninas" da grife Daspu desfilam suas experiência de vida e profissão nas páginas do livro "As Meninas da Daspu", de Anna Marina Barbará.

Divulgação
Capa do livro "As Meninas da Daspu" contou com a "ajuda" de uma das entrevistadas
Capa do livro "As Meninas da Daspu" contou com a "ajuda" de uma das entrevistadas

Vale lembrar que a marca Daspu surgiu como uma crítica em tom de brincadeira à Daslu, complexo que reúne diversas grifes de luxo em São Paulo.

Não é là Bruna Surfistinha, mas publicação reproduz as experiências de vida e profissionais de oito prostitutas.

Com um foco militante, o livro consegue arrebanhar não apenas histórias interessantes, mas contadas de maneira espontânea e, dessa forma, não perde graça, delicadeza e impacto.

Para contrariar quem afirma que a atividade não é cultura, o livro traz um pequeno histórico da profissão no Brasil, bastante focado no Rio de Janeiro. Logo na primeira entrevista, uma das "meninas" conta sua experiência internacional e até revela seus destinos preferidos. Confira trechos do livro.

Turnê

João Sal/Folha Imagem
Desfile da grife Daspu no Club Vegas; grife brincou com o nome da paulistana Daslu
Desfile da grife Daspu no Club Vegas; grife brincou com o nome da paulistana Daslu

Doroth de Castro Ferreira conta que, se pudesse escolher uma nacionalidade, seria chilena.

A entrevistada fez uma "turnê", de norte a sul do país e também conhece Bolívia, Peru e outras localidades na América do Sul.

Ela se apresentava em casas noturnas destes países como dançarina e cantora. A prostituta afirma que, depois da atividade artística, fazia os programas.

Ao ver a capa da publicação, a primeira coisa que vêm à cabeça é o mote "Daspu é uma p* parada!", que embala os desfiles de moda da grife.

A modelo da capa é Valquíria Pereira da Costa, nascida no Maranhão, ela mora no Rio de Janeiro. "A Daspu foi tudo pra mim. Até porque eu consegui realizar o meu sonho de criança, de ser modelo. Mas quando a idade chegou, eu vi que não daria mais pra realizar esse sonho. A minha esperança era a minha filhinha, ainda é... Na Daspu eu estou conseguindo desfilar... Até saí em revista, jornal e tudo.", afirma Valquíria.

Ana Carolina Fernandes/Folha Imagem
Desfiles da Daspu misturam militantes da ONG, prostitutas e voluntárias de qualquer profissão
Desfiles da Daspu misturam militantes da ONG, prostitutas e voluntárias de qualquer profissão

Muitas da entrevistadas migraram para o Rio de Janeiro. A maioria não começou direto a se prostituir. Em geral, primeiro trabalharam como domésticas.

Aids e outras histórias

O livro consegue abordar temas como a chegada Aids, repressão e o envolvimento de garotas jovens na prostituição de maneira realista, mas não pesada. Isto pelo fato de as declarantes não construírem uma narrativa de comiseração e choradeira.

A soropositiva Jane, por exemplo, conta como é conviver com o vírus HIV. Rosto conhecido da Daspu, Jane desfilou com a indumentária de noiva na abertura da última Bienal de Artes de São Paulo.

Todas as entrevistadas são multiplicadoras da ONG no Rio. O lançamento do livro ocorreu no dia 6 de junho e está próxima de uma outra data importante, o 12 de junho. Em um dia dos namorados ocorreu a primeira manifestação organizada de prostitutas no Rio de Janeiro. O protesto aconteceu em 1982. O livro custa R$ 39 e é da Editora Novas Idéias.

"As Meninas da Daspu"
Autor: Anna Marina Barbará
Editora: Editora Novas Idéias
Páginas: 284
Quanto: R$ 39

 

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