Minimalismo marca enredo de "Cão sem Dono"
SÉRGIO RIZZO
do Guia da Folha
A distância entre o que se propõem a fazer "Não por Acaso" (em cartaz) e "Cão sem Dono" (que estréia hoje) equivale à quilometragem entre São Paulo e Porto Alegre, onde se ambientam as histórias, respectivamente. Algo, no entanto, os aproxima, além do uso de atropelamentos e de perdas: a busca por um cinema que não é de tese, mas de personagens -- o que significa, em boa medida, que ambos são filmes de atores e de momentos luminosos.
São também "pequenos", no sentido positivo do termo, com um recorte do mundo que procura se concentrar integralmente em seu microcosmo, sem rebarbas. Nesse aspecto, "Cão sem Dono" é ainda "menor". Ao adaptar o romance "Até o Dia em que o Cão Morreu", de Daniel Galera, os diretores Beto Brant ("O Invasor") e Renato Ciasca, com a colaboração do escritor e roteirista Marçal Aquino, tratam o argumento de forma minimalista para chegar bem perto do protagonista, o tradutor Ciro (Julio Andrade).
Embora esteja na faixa dos 30 anos e more sozinho, ele mantém um pé na adolescência e continua a depender dos pais. Conhecer a modelo Marcela (a estreante Tainá Müller) representará o início de um processo de mudança que, lembra vivamente o filme, sempre envolve dor.
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