Escritor conta em livro como se descobriu gay; leia destaques GLS
SÉRGIO RIPARDO
Editor de Ilustrada da Folha Online
O professor de inglês André Ranzatti transformou em livro a história de sua descoberta e aceitação da homossexualidade aos 25 anos. "Amores no Masculino" foi escrito durante um período de terapia, como um diário.
"Era como se eu passasse o filme da minha vida de novo, e assim pude rever atitudes, entendê-las e crescer com esta experiência. Depois de finalizado, percebi que o que havia escrito poderia, de alguma forma, ajudar pessoas que passam pelas mesmas experiências, e assim achei importante publicar o livro."
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| Divulgação |
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| Após "Amores no Masculino", André Ranzatti prepara romance |
Folha Online- Quais as dificuldades de lançar um livro sobre suas experiências?
| Reprodução |
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| "Amores no Masculino", de 116 págs, R$ 20, edição independente |
André Ranzatti- Primeiro, foi entender que, depois de lançado o livro, esta história já não pertenceria só a mim. Foi um momento de reflexão, e demorou um pouco. Depois eu teria de conversar com meus pais. Era muito importante que eles me apoiassem naquele momento. Assumi os riscos. Estou muito feliz com o que alcancei até o momento.
Folha Online- O que recomendaria a um jovem gay com planos de se lançar como escritor?
Ranzatti- Que não tenha medo, pois acredito que a literatura pode ter um papel muito importante na vida das pessoas. Dividir suas histórias é uma divertida viagem.
Folha Online- Já está escrevendo outro livro?
Ranzatti- Sim. Um romance que não tem relação com o mundo GLS. Quero tentar escrever histórias diversas, do cotidiano. Se eu conseguir entreter as pessoas com minha escrita, acho que estarei realizado como escritor.
| Arte/Folha Online |
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| Rua Pedro Taques desponta como um novo reduto de interesse para público GLS |
Território
Uma ruazinha, perto do cemitério da Consolação, começar a entrar no roteiro do público GLS nesse trecho da região central de São Paulo. Nos últimos meses, por lá, abriram um bistrô, uma galeria de arte, uma escola de dança e, nas redondezas, uma sauna gay. Antes, a r. Pedro Taques só era lembrada por causa do bar Drosophyla (nº 80). Em 2002, o lugar se envolveu numa confusão ao proibir um beijo de uma casal de lésbicas.
| Sérgio Ripardo/Folha Online |
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| Ana Tabanez, sócia do bistrô Otto, e o sommelier Dudu Rosa |
"Somos um bistrô sem preconceitos, totalmente gay friendly. É um lugar para todo mundo se sentir à vontade. O que importa é comer bem", conta Ana Tabanez, sócia do Otto (nº 129)
Ela já foi garçonete do Ritz, nos Jardins, e trabalhou no bar Teta, em Pinheiros. Otto é o nome de um gato, símbolo na entrada da casa. Sua parceira no negócio é Bia Goll. O ambiente tem sapinho, milho e insetos desenhados nas paredes.
O cardápio tem três opções de pratos diferentes a cada dia (risoto, carne e frango), com preços a partir de R$ 20, expostos em uma lousa. São 44 lugares. Abre de segunda a sábado (12-15h e 20-24h). Por enquanto, não aceita cartões de crédito, mas faz reservas (0/xx/11/3231-5330).
| Enio Tosta/Divulgação |
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| Samra Mougrabi, 34, criadora do portal AthosGLS, que tem 10 anos |
Mídia gay
O portal AthosGLS (www.athosgls.com.br), um dos mais acessados nesse segmento no país, completa dez anos, em outubro. "Em 1997, eu estava com minha primeira namorada. Não havia informação na internet sobre locais específicos. Então resolvemos colocar uma página no ar com alguns endereços. Foi aí que tudo começou", conta Samra Mougrabi, 34, criadora da página.
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Folha Online- Como o seu portal se sustenta?
Samra Mougrabi- Com campanhas publicitárias. Não publicamos fotos eróticas nem apelativas. Isso chama a atenção dos empresários na hora de romper seus preconceitos em anunciar seus produtos ao público homossexual. O custo não é alto, e os empresários fecham contratos de longo prazo.
Folha Online- Hoje há mais anunciantes para o mercado GLS? Que setor puxa?
Mougrabi- O mercado melhorou nos últimos três anos com grandes empresas interessadas em se apresentar como "gay friendly". O setor de turismo é um deles. No período pós-parada, sempre surgem novos empresários que nos procuram para entrar no mercado GLBT. A tendência é crescer cada vez mais.
Folha Online- Com a maior visibilidade dos gays na internet, são menores as dificuldades para se sair do armário?
Mougrabi- No começo, lembro das dificuldades de encontrar boa informação. Na época, passei apuros por conta da minha família. Hoje temos mais informações. Algumas escolas já estão com projetos para ensinar sobre diversidade sexual. E cada vez mais a saída do armário será sem muitas barreiras.
| Divulgação |
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| Outdoor em Campina Grande (PB) desperta ira do movimento gay, que leva o caso ao governo |
Outdoor
A Secretaria Especial dos Direitos Humanos promete entrar na guerra contra um outdoor em Campina Grande (PB). O cartaz ostenta a mensagem "Homossexualismo: E fez Deus homem e mulher e viu que era bom" e divulga o endereço do grupo Visão Nacional para a Consciência Cristã, que tenta impedir no Senado a aprovação do projeto que criminaliza a homofobia.
| Arquivo pessoal |
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| Professor divulgou foto do seu espancamento e pediu fim da homofobia nos Jardins |
Ataques
A região da Paulista registra pelo menos um ataque homofóbico por semana. No último sábado, uma adolescente de 17 anos foi agredida por skinheads dentro de uma pizzaria na Augusta com Fernando de Albuquerque. Ela estava com amigas, que foram assediadas. A menor levou um soco no rosto. A polícia foi chamada. No começo do mês, houve o caso de dois universitários que se beijavam na Paulista, perto do metrô Trianon-Masp, e foram surpreendidos por chutes no rosto e golpes de correntes na cabeça dados por um grupo. Acabaram no Hospital Estadual Brigadeiro. Houve ainda a morte do turista francês na alameda Franca, no dia da parada gay. A polícia não esclareceu ainda o crime, e a família diz que Grégor Erwan Landouar não era gay. No começo do ano, o professor universitário de filosofia Alessandro Faria Araújo foi espancado por homens de preto, na alameda Jaú com rua da Consolação. Ele fez questão de divulgar sua foto para sensibilizar quem desconhece a onda de violência contra homossexuais.
Audiovisual
Surge mais um festival de cinema com produções voltadas para gays e lésbicas. Será em Fortaleza (CE), de 27 a 31 de julho. Chama-se "For Rainbow - Festival de Fortaleza de Cinema da Diversidade Sexual". A mostra competitiva será no centro cultural Sesc Luiz Severiano Ribeiro, na pça. do Ferreira. O vencedor levará R$ 5.000, em dinheiro. O site do festival (/www.forrainbow.com.br) traz mais detalhes sobre a programação.
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