Norton faz de "Despertar de uma Paixão" um clássico humano
RICARDO FELTRIN
Editor-chefe da Folha Online
O autor e dramaturgo W. Somerset Maugham, autor do livro que deu origem a "Despertar de uma Paixão" ("The Painted Veil"), que estréia hoje nos cinemas, é um especialista em amores anacrônicos, impossíveis ou atormentados.
Foi assim no clássico da literatura "Servidão Humana" (1915), em que o claudicante Philipe divide sua atenção entre a pintura e a apaixonada subserviência por uma moçoila; é também assim com Larry em "O Fio da Navalha" (1943) e sua fascinante busca pelo significado da morte, enquanto a vida lhe joga de frente uma paixão carnal, numa espécie de teste de força de espírito (a qual Larry vencerá ou perderá? só lendo para descobrir...)
| Divulgação |
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| Filme "O Despertar de uma Paixão" é baseado no romance "O Véu Pintado", de Maugham |
Talvez justamente por seu estilo, os livros de Maugham são sempre cinematográficos. Este, em especial, ganha agora sua terceira versão. E o diretor John Curran fez a adaptação com maestria. Poucos filmes poderiam merecer mais o nome de "drama": amor, ciúme, ódio, rancor, redenção enchem a tela e os olhos durante os 125 minutos de "Despertar de uma Paixão".
Podemos dizer que o "despertar", propriamente dito, existe muito mais na cabecinha dos distribuidores nacionais, que optaram em um título comercial e sedutor. "O Véu Pintado", título do livro, seria muito mais poético e condizente com a paisagem deslumbrante em que se desenvolve a saga do médico Walter Fane (Edward Norton).
Depois de uma reviravolta conjugal, ele se muda para um longínquo povoado chinês ameaçado pela peste. Para lá ele carrega seu amor, seu rancor e sua mulher, a fútil e inconfiável Kitty (Naomi Watts). Enquanto digere o próprio sofrimento e o de milhares de chineses assolados pela fome e pela ameaça da guerra civil, dr. Fane e Kitty atingirão a si mesmos: primeiro com pedras verbais, depois com sentimentos, e por fim... bem, aí você terá de assistir para saber.
As atuações, os cenários, o roteiro, tudo é de primeira linha. Foram seis anos para que o projeto fosse concluído e isso não teria ocorrido não fosse a teimosia do próprio Norton. E ele conseguiu. Muito mais que um drama de amor, graças a ele "Despertar de uma Paixão" é um filme sobre humanos.
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