"Treze Homens e um Novo Segredo" volta às origens
FAUSTO SALVADORI FILHO
da Folha Online
Os arrasa-quarteirões de Hollywood agora vêm em três, como os mosqueteiros, os segredos de Fátima e os porquinhos. As terceiras partes de "Homem Aranha", "Piratas do Caribe" e "Shrek" ainda nem saíram de cartaz, mas os cinemas brasileiros acabam de receber mais um fecho de trilogia.
"Treze Homens e um Novo Segredo" encerra a trinca iniciada com "Onze Homens e um Segredo" e seguida por "Doze Homens e outro Segredo", todos dirigidos por Steven Soderbergh (o premiado realizador de "Traffic") e estrelados pelos galãs George Clooney, Brad Pitt e Matt Damon.
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As trilogias entraram para a ordem do dia principalmente após o sucesso de "Senhor dos Anéis" e da segunda trinca de "Guerra das Estrelas". Atualmente, a estratégia de todo "blockbuster" que se preze é fazer o elenco assinar contrato logo para três filmes e sempre deixar algumas pontas soltas no final da trama. Se o filme for bem nas bilheterias, os produtores tratam de deslanchar a produção da segunda e terceira partes da história uma logo após a outra (às vezes rodadas simultaneamente).
O formato das trilogias nem sempre significa que os filmes tenham uma história para ser contada em três capítulos. A história do garboso Danny Ocean e seus amigos vigaristas, por exemplo, já havia amarrado todas as pontas e recebido um desfecho adequado com os dois primeiros filmes. Só restou a "Treze Homens e Mais um Segredo" voltar às origens e se repetir descaradamente, quase como um remake do primeiro filme.
Refilmagem
"Onze Homens e um Segredo" já não era uma história original, mas a refilmagem de um cult homônimo dos anos 60, estrelado por Frank Sinatra e sua trupe.
O remake de 2001 manteve a premissa do grupo de ladrões glamourosos e de bom coração que se unem para roubar os cassinos de Las Vegas, criando uma roupagem mais moderna ao golpe. Visto hoje, o roubo de Ocean/Sinatra parece bastante ingênuo se comparado aos planos tecnológicos altamente elaborados do Ocean/Cloney.
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| Galãs Brad Pitt, George Clooney e Matt Damon em "Treze Homens e um Novo Segredo" |
O remake também deixou de lado o moralismo da época e a necessidade de castigar os foras-da-lei ao final da trama. Na trilogia de Soderbergh, ao contrário, os ladrões são exemplos de sucesso, que sempre se dão bem ao final de cada golpe milionário.
No primeiro filme, o alvo da quadrilha de Ocean era o cassino de Terry Benedict, um empresário mau caráter de Las Vegas, interpretado por Andy Garcia. Na continuação --que procurou introduzir algumas inovações ao deslocar a quadrilha de Ocean para a Europa--, Benedict faz um acordo com o grupo e agora, no novo filme, torna-se o 13º homem do grupo.
Desta vez, o alvo da quadrilha de Ocean é.Willie Bank, outro empresário mau caráter de Las Vegas, vivido por Al Pacino. O motivo dos ladrões não podia ser mais nobre: vingar um amigo que sofreu um infarto após ser ludibriado pelo empresário.
Apesar do déjà Vu, o novo filme tem tudo para agradar ao público. As interpretações precisas, a direção elegante, as várias reviravoltas de uma trama tão inverossímil quanto divertida, a trilha sonora classuda -- os melhores ingredientes das produções anteriores estão ali.
Falta mulher
Em relação aos outros filmes, o único ponto negativo é a ausência de beldades femininas: Julia Roberts e Catherine Zeta Jones ficaram de fora da nova produção. Enquanto o mulherio ainda tem Clooney e Pitt, os marmanjos só podem contar com Ellen Barkin -- musa dos onanistas dos anos 80 em filmes como "Vítimas de uma Paixão" e "Acerto de Contas", mas que hoje é uma respeitável cinqüentona.
Resta aos marmanjos se contentar com Barkin. E sonhar com a boa vida de ladrão honrado, que só prejudica os caras ruins com seus golpes enquanto vai de um roubo a outro sempre vestindo os ternos mais estilosos e voando em jatinhos particulares sem risco de apagão aéreo ou Polícia Federal.
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