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Apesar do sucesso, "Cidade de Deus" fica fora do Oscar
MARCELO BARTOLOMEIenviado especial a Los Angeles
O longa-metragem "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles e co-dirigido por Kátia Lund, ficou fora da competição pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. O filme era um dos mais cotados para disputar a estatueta da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, de Hollywood, o maior prêmio do cinema mundial.
| Divulgação |
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| Cena do filme brasileiro "Cidade de Deus" |
Foram indicados os filmes "Hero" (China), de Zhang Yimou, "O Crime do Padre Amaro" (México), de Carlos Carrera, "No Where in Africa" (Alemanha), de Caroline Link, "Zus & Zo" (Holanda), de Paula van der Oest, e "The Man Without a Past" (Finlândia), de Aki Kaurismaki.
"Cidade de Deus" estreou em mais de 300 salas dos Estados Unidos e está sendo exibido também na Holanda, na Espanha e na Inglaterra, onde foi muito bem recebido. Jornais e revistas norte-americanas elogiaram muito o filme, que concorreu também ao Globo de Ouro.
A última vez que o Brasil teve um representante no Oscar foi em 1999, quando o sensível "Central do Brasil", de Walter Salles, concorreu à estatueta. Apesar de ter perdido para "A Vida é Bela", de Roberto Benigni, o filme impulsionou a carreira do cineasta no exterior. Atualmente, Salles filma a biografia de Che Guevara, vivido por Gael García Bernal (de "O Crime do Padre Amaro"), na Colômbia.
A esperança depositada em "Cidade de Deus", indicado pelo governo brasileiro à Academia, é a prova da retomada no cinema brasileiro e de sua ótima fase.
No Brasil, o filme fez 3,2 milhões de espectadores, um recorde para uma produção nacional. Com esta bilheteria, "Cidade de Deus" é o filme nacional mais visto no país, batendo os filmes de Xuxa Meneghel, que costumeiramente ficavam no primeiro lugar.
História
"Cidade de Deus" é baseado no romance homônimo do escritor Paulo Lins e mostra a violência e a guerra do tráfico na favela carioca. Passado em três fases, o filme trouxe à tona a realidade local e escandalizou com cenas fortes de tiroteios e crianças armadas ou em situação de risco.
O filme também provocou polêmica na própria Cidade de Deus, a favela que inspirou a história. Moradores de lá não gostaram da maneira como foram retratados no longa-metragem de Meirelles.
Para fazer o filme, ele e Kátia Lund treinaram atores amadores do grupo Nós do Morro, formado por moradores dos morros e das favelas cariocas, para a interpretação, que é surpreendente.
A partir de agora, os membros da Academia começam a analisar os filmes indicados para dar seus votos finais e eleger o melhor em cada uma das categorias. O prêmio será entregue no dia 23 de março, no Kodak Shrine Auditorium, em Los Angeles.
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