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Ilustrada
06/07/2007 - 11h35

Na Flip, autor de biografia de Roberto Carlos diz que proibição foi "surpresa"

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da Folha Online

Na manhã desta sexta-feira, em mesa-redonda durante a Flip (Festa Literária Internacional de Parati) (Festa Literária Internacional de Parati), Paulo César Araújo, autor de "Roberto Carlos em Detalhes", afirmou que o acordo com o cantor para a retirada de circulação da biografia foi uma "surpresa".

A biografia do cantor deixou de ser publicada após acordo em abril deste ano. Roberto Carlos entrou com um processo na Justiça afirmando que o livro invadia sua privacidade.

Ricardo Moraes/Folha Imagem
Roberto Carlos entrou na Justiça contra biografia não-autorizada
Roberto Carlos entrou na Justiça contra biografia não-autorizada

Em debate com os escritores Ruy Castro e Fernando Morais que lotou a Tenda dos Autores e levou 1.200 pessoas à Tenda da Matriz (onde há um telão), Araújo afirmou que, antes da audiência em que o acordo foi costurado, os advogados da editora jamais haviam falado sobre essa possibilidade.

Questionado por Ruy Castro se o fato de a Planeta ser espanhola influenciou no acordo, o biógrafo afirmou acreditar que os advogados tenham se "assustado" com a ameaça de fechamento da editora e com o pedido de uma alta indenização. "Para minha surpresa, sem nenhuma prévia, sem nenhuma advertência, resolveram fazer o acordo", disse Araújo. Procurada pela reportagem, a editora afirma que não se pronuncia mais sobre o assunto desde o fechamento do acordo.

"Se valer para qualquer um o que está valendo [na Justiça] para o Roberto Carlos, vai ser impossível escrever a história do Brasil. O livro não tem calúnia, não contém nenhum fato inverídico", ressaltou o escritor. Segundo ele, o livro conta a história da MPB e fatos publicados e relatados nas próprias músicas de Roberto Carlos.

"Esse é um livro de um historiador que admira a história do Roberto. Conto isso logo no início, quando relato minha infância. Além disso, meu livro revela o Roberto Carlos humano. Sou um crítico dessa coisa de mito. Ele é um grande artista com talento, mas também um ser humano com suas limitações e suas contradições."

Para os três participantes da mesa (a com maior público até agora na Flip), o limite para obras dessa natureza é a calúnia. Araújo elogiou o artigo do escritor Paulo Coelho, publicado na seção "Tendências e Debates" da Folha, no último dia 2 de maio. No artigo (só para assinantes da Folha ou do UOL), Coelho criticou a atitude de Roberto Carlos de censurar o livro e o acordo fechado para proibição da venda. "Tenho grande admiração por Roberto Carlos. Continuarei comprando seus discos, mas estou chocado com sua atitude infantil", escreveu Coelho no artigo. Também cobrou da editora Planeta, que edita seus livros em várias línguas, uma explicação.

Internet

Sobre o fato de o livro estar disponível em versão integral na internet, Araújo afirmou que considera esse fenômeno uma espécie de "desobediência civil". "O detalhe interessante é que as pessoas estão inserindo conteúdo que eu não escrevi. Está virando uma obra coletiva. Isso é constrangedor pro Roberto, pois só colocam coisas que não deixam ele muito bem. É mais uma razão pro meu livro voltar."

Ao falar da proibição, Araújo se emocionou e chorou ao lembrar da filha, que, segundo ele reclamava da ausência do pai durante o período de pesquisa. O autor costumava se justificar dizendo à filha que iria visitar Roberto Carlos e que o cantor gravaria músicas para ela.

Para encerrar o debate, o autor leu, a pedido do mediador Cassiano Elek Machado, presidente da Flip, um trecho do capítulo oito intitulado "Roberto Carlos e a Política". Segundo o livro, na década de 60 Roberto Carlos tornou-se "uma quase unanimidade nacional", admirado por todos, menos pela "geração de 68", que reunia jornalistas, sociólogos e outros setores da classe média intelectualizada, exceto Caetano Veloso e outros tropicalistas. Quando terminou, foi aplaudido de pé.

 

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