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08/07/2007 - 21h26

Unesco critica concurso das sete novas maravilhas; escolhidos festejam

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da Folha Online

A Unesco, braço da Organização das Nações Unidas, criticou a campanha de uma iniciativa privada que elegeu as sete novas maravilhas do mundo com cerca de 100 milhões de votos pela internet e mensagens de texto por telefone. O Cristo Redentor foi eleito uma das novas maravilhas e neste domingo ocorreu uma celebração pelo fato.

Moacyr Lopes Junior/Folha Imagem
Construção possui cerca de 38 metros de altura; Monumento reverteu "baixa" votação
Construção possui cerca de 38 metros de altura; Monumento reverteu "baixa" votação

"Esta campanha segue outros critérios e objetivos que os da Unesco no campo da cultura", disse Sue Williams, porta-voz da Unesco para os patrimônio mundial.

"Nós temos uma visão muito mais ampla", disse Sue.

Além do Cristo, as outras novas maravilhas são o Taj Mahal, na Índia, a Grande Muralha da China, as ruínas de Petra, na Jordânia, o Coliseu de Roma, na Itália, as ruínas incas de Machu Picchu, no Peru, e o complexo de Chichén Itzé, no México. Veja galeria de fotos.

Na lista final do evento estavam locais como a Acrópolis (Atenas), a Torre Eiffel (Paris), as estátuas da Ilha de Páscoa, o Stonehenge (Reino Unido), o complexo Angkor Wat (Cambodia), a Estátua da Liberdade (Nova York) e a Alhambra (Espanha).

Ahmad Masood/Reuters
Taj Mahal está entre novas sete maravilhas; mausoléu é ameaçado por poluição na Índia
Taj Mahal está entre novas sete maravilhas; mausoléu é ameaçado por poluição na Índia

Para a Unesco, o concurso enviou uma "mensagem negativa a países cujos locais de interesse não foram selecionados".

"Todas as maravilhas obviamente merecem um lugar na lista, mas o que nos perturba é que a lista seja limitada a apenas sete", divulgou a assessoria de imprensa da Unesco.

A campanha foi uma iniciativa do cineasta suíço Bernard Weber, que se inspirou após a destruição dos Budas Gigantes em Bamiyan, no Afeganistão, pelo Talibã em 2001. Parte do dinheiro arrecadado com o megashow de anúncio das novas maravilhas deve ser destinado a uma possível reconstrução das estátuas, segundo os organizadores.

8.jun.2007/Folha Imagem
Cidade inca tem até 2.500 visitantes ao dia; veja galeria de imagens
Cidade inca tem até 2.500 visitantes ao dia; veja galeria de imagens

A Unesco não concorda com a reconstrução das estátuas no Afeganistão. "Se você constrói novas estátuas nestes lugares, você destrói o que havia antes", disse Christian Manhart, chefe da imprensa para a Unesco.

Para Manhart, a reconstrução dos budas no Afeganistão também é problemática, pois não recupera o sentido de figuras mais adoradas no país, que hoje é majoritariamente muçulmano.

"O sr. Weber não possui uma autorização do governo do Afeganistão, e sem uma permissão ele não pode fazer nada", disse ainda Manhart.

As pirâmides de Gizé, a única das sete maravilhas que existem atualmente, ficam no Egito. As autoridades do país também criticam o concurso.

AP
As pirâmides de Gizé (Egito) são as únicas remanescentes das antigas sete maravilhas
As pirâmides de Gizé (Egito) são as únicas remanescentes das antigas sete maravilhas

"O concurso não vai tirar o valor das pirâmides, que são a única maravilha real do mundo", disse o responsável pelo patrimônio do país, Zahi Hawass. "A competição não tem valor porque não são as massas que escrevem a história", disse Hawass.

China

A China não transmitiu o evento, deixando os turistas na Grande Muralha sem conhecer o novo status do monumento que visitavam.

"Como sempre há muitos turistas aqui hoje, mas eu não acho que eles tenham vindo por causa da escolha da Grande Muralha como uma das novas sete maravilhas do mundo", disse Hu Yang, um oficial do posto de Badaling na construção. "De qualquer maneira, é uma grande honra para toda a China", afirmou.

Divulgação
Chineses fizeram campanha para que construção não ficasse de fora de concurso
Chineses fizeram campanha para que construção não ficasse de fora de concurso

Comemoração

Os indianos comemoraram a escolha do Taj Mahal, um monumento construído por um governamente Mugal em memória de sua mulher morta no século 17.

"É uma vitória do amor, a mensagem que o Taj [Mahal] passa", disse Rakesh Chauhan, presidente da Associação de Restaurantes e Hotéis de Agra.

Na Itália, o prefeito de Roma, Walter Vetroni, disse que a escolha do Coliseu era uma "uma grande satisfação".

Na Jordânia, houve mais festa, liderada pelo ministro do turismo, Faruq Hadidi, que afirmou que o fluxo de turistas para as ruínas de Petra iria dobrar. Atualmente o local recebe cerca de 400 mil visitantes ao ano.

No Peru, houve festa em Machu Picchu. "A eleição de Machu Picchu é um exemplo do que os peruanos podem conseguir quando unidos", disse a ministra do Comércio e Turismo, Mercedes Araoz.

Com alegria, bandeiras, e danças maias, os mexicanos comemoraram a eleição das ruínas de Chichen Itza, que atraem cerca de um milhão de turistas ao ano.

No Brasil, a ministra do Turismo, Marta Suplicy, deu uma opinião favorável em relação ao fato de o Cristo ter sido escolhido. A indústria do setor e o secretário de Turismo do Rio de Janeiro também se manifestaram favoravelmente.

Com Associated Press

 

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