Militar alemão que conspirou para matar Hitler apóia Tom Cruise
da France Presse, em Berlim
Um colega de Claus Von Stauffenberg, herói alemão que conspirou para assassinar Hitler em julho de 1944, apoiou o ator americano Tom Cruise para viver o militar alemão. A escolha de Cruise para o papel é muito criticada na Alemanha pela relação do ator com a cientologia.
| AP |
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| Tom Cruise é apoiado por militar que esteve em complô para matar Hitler |
Philipp Freiherr Von Boeselager, 89, o único sobrevivente dos oficiais alemães envolvidos no complô encabeçado por Stauffenberg, afirmou que Cruise é um bom ator.
"Acho ótimo que Cruise personifique Stauffenberg. Ele é um bom ator. Mas ele não deve fazer publicidade da cientologia com esse filme", disse ao jornal "Bild".
Boeselager também expressou sua esperança de que o filme divulgue o movimento da resistência alemã.
"Valquíria", filme dirigido por Bryan Singer, conta a vida do oficial do Exército alemão executado depois que sua tentativa de assassinato contra Hitler, a "Operação Valquíria", fracassou.
O próprio filho do conde, Berthold Schenk von Stauffenberg, 72, no entanto, já expressou publicamente a pouca simpatia que lhe inspirava o projeto por causa do ator escolhido para viver seu pai.
"Desagrada-me que um cientologista notório desempenhe o papel de meu pai", afirmou Stauffenberg ao jornal "Sueddeutsche Zeitung".
Alguns setores políticos, particularmente irritados com a instalação em pleno centro de Berlim de um escritório de 4.000 metros quadrados da igreja da cientologia, seguiram o exemplo do filho do chefe da resistência contra Hitler.
O deputado social-democrata Klaus Uwe Benneter lamentou, em seu site, que o papel de Stauffenberg tenha sido confiado a um "ator cuja seita tenta, por meios duvidosos, atrair as pessoas para manipulá-las".
Veto
O debate se intensificou com o anúncio das autoridades alemãs de que não autorizariam à equipe de filmagens rodar cenas no local em que Stauffenberg foi executado, em um prédio que abriga hoje os serviços do ministério federal alemão de Defesa.
Trata-se de um lugar de reflexão, argumentou o porta-voz, que não evocou, no entanto, a polêmica sobre a cientologia. Mesmo assim, o governo de Angela Merkel apóia o projeto do filme, afirmou o porta-voz.
Mas a produção topou com outras dificuldades. As autoridades também vetaram a utilização de outro lugar para as filmagens, um escritório da polícia de Berlim, argumentando que os funcionários seriam perturbados em seu trabalho.
O presidente do Memorial da Resistência Alemã, Peter Steinbach, referiu-se a Tom Cruise como um ator controvertido, que ameaça criar na mente do público um laço contraditório com a coragem cívica de um homem que se comprometeu contra o totalitarismo. Steinbach também relacionou o ator com a cientologia.
Em meio a tantas críticas, um dos poucos que se arrisca a defender o astro de Hollywood é o cineasta alemão Florian Henckel von Donnersmarck, cujo filme "A Vida dos Outros" levou neste ano o Oscar de melhor filme estrangeiro.
Em um longo artigo publicado no jornal "Frankfurter Allgemeine", o diretor classificou Tom Cruise como "a promessa da Alemanha", já que seu filme "fará mais pela consideração do país do que dez copas do mundo de futebol".
Do outro lado do Atlântico, um colunista do "Philadelphia Daily News" tornou a discussão ainda mais delicada ao questionar: "Qual a melhor maneira de fazer reviver o período nazista do que impedir alguém de trabalhar por causa de suas crenças?"
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