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Ilustrada
20/07/2007 - 09h11

"Em Busca da Vida" retrata contrastes da vida chinesa

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SÉRGIO RIZZO
do Guia da Folha

A risonha China do capitalismo florescente, das cidades reconstruídas e do desenvolvimento tecnológico, que orienta a imagem do país para exportação, será ainda mais incensada em 2008, com as Olimpíadas de Pequim. Outra China, miserável e conflituosa, com algumas centenas de milhões de habitantes além do que mostram as estatísticas oficiais, aproveita pequenas brechas para se expor. No cinema, por exemplo.

"Em Busca da Vida" traz, com notável rigor estético, um pouco do que se esconde por trás da fachada de prosperidade. Seu diretor, Jia Zhang-Ke, representa o empenho da nova geração de cineastas chineses --posterior à de Chen Kaige ("Adeus, Minha Concubina") e Zhang Yimou ("Lanternas Vermelhas")-- em trabalhar os contrastes de um país ainda sob regime autoritário e que, embora continue aferrado a conceitos e práticas que perduraram por décadas, se vê obrigado a aderir rapidamente a um novo modelo econômico.

Os custos humanos dessa empreitada já haviam sido tratados, sob diversas perspectivas, em "Plataforma" (00), "Prazeres Desconhecidos" (02) e "O Mundo" (04), os longas anteriores de Zhang-Ke. Vencedor do Leão de Ouro de melhor filme no Festival de Veneza em 2006, "Em Busca da Vida" acompanha histórias paralelas de pessoas afetadas pela construção de uma barragem e pela conseqüente transferência de moradores da região.

Dois casais que se mantêm afastados há anos protagonizam os dramas centrais. Em torno deles, gente que vai e que vem, coisas deixadas para trás e destruídas, e um sentimento universal, muito além das circunstâncias, em relação aos efeitos do tempo.

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