Ilustrada
20/07/2007 - 09h20

Contradições da sociedade tcheca movem "Algo como a Felicidade"

RICARDO CALIL
do Guia da Folha

Depois de uma fase áurea nos anos 60, cujo expoente mais famoso foi Milos Forman, o cinema tcheco viveu de pequenos fenômenos isolados. Um deles foi o correto "Kolya - Uma Lição de Amor" (1996), Oscar de melhor filme estrangeiro. Outro mais recente é "Algo como a Felicidade".

Dirigido por Bohdan Slama, é um drama realista sobre três antigos amigos de infância cujos destinos continuam a se cruzar na vida adulta em uma cidade do interior da República Tcheca. Tonik (Pavel Liska) é um rebelde calado e solitário, que deixou a casa dos pais para viver em uma fazenda e nutre uma paixão platônica por Monika (Tatiana Vilhelmova). Esta sonha em se mudar para os Estados Unidos, para onde seu namorado já viajou, mas decide adiar os planos para cuidar dos filhos de sua melhor amiga Dasha (a excelente Ana Geislerova) --mulher emocionalmente desequilibrada que é internada em uma clínica psiquiátrica depois que seu amante termina a relação.

Como pano de fundo dessas histórias sentimentais, Slama faz um retrato da realidade social da República Tcheca pós-comunismo, marcada pela contradição entre o passado agrário/industrial e o presente consumista, entre a busca pelas raízes e o desejo de emigrar. O cineasta consegue encontrar um equilíbrio delicado entre o pessoal e o político, além de extrair belas interpretações dos atores. Mas ainda não é o filme que vai tirar o cinema tcheco de um longo marasmo.

Acompanhe o Guia da Folha em seu celular: digite o endereço wap.folha.com.br

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca