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Graciliano Ramos ganha reedições seguindo seus critérios
CASSIANO ELEK MACHADOda Folha de S.Paulo
Em ensaio publicado no livro "Origens e Fins", Otto Maria Carpeaux define que a "mestria singular" de Graciliano Ramos "reside no seu estilo". E define estilo como "a escolha entre o que deve perecer e o que deve sobreviver".
Pois é com uma homenagem a essas escolhas precisas do escritor alagoano que estão sendo lembrados os 50 anos de sua morte, que se completam hoje.
Pedras angulares da literatura contemporânea brasileira, as obras de Graciliano voltam, por fim, a ter edições "gracilianas". Dentro de dez dias, a editora Record coloca nas livrarias uma nova versão de "Vidas Secas", que abre a reedição de todos os seus livros principais.
Monumentos que começaram a ser erguidos há 70 anos, com a publicação de "Caetés", os romances do escritor vinham sofrendo nas últimas décadas da erosão que ameaça livros muito reeditados.
Com obras na 89ª edição, caso de "Vidas Secas" (1938), ou na 77ª, como "S. Bernardo" (1934), a precisão de Ramos foi aos poucos sendo descalibrada.
"Garapa", sinônimo do caldo de cana de açúcar, por exemplo, virou garrafa. Mestre das minúsculas, o autor teve todas as ruas, avenidas e praças sobre as quais escreveu em letras pequenas transformadas em Ruas, Praças, Avenidas. E por aí afora.
Não foram essas as maiores mudanças propostas por Wander Melo Miranda, professor da Universidade Federal de Minas Gerais e supervisor da reedição.
"É S. Bernardo e não São Bernardo a grafia correta do romance de Graciliano", diz o estudioso há 20 anos da obra do autor de Quebrangulo (AL). "É mudança importante. Ele foi um escritor marcado pela economia, pelo uso mínimo de meios."
Para estabelecer o texto correto, chegar ao padrão "graciliano", Miranda tomou como base as últimas edições revistas pelo autor, entre 1947 e 1949, hoje no Instituto de Estudos Brasileiros da USP. "Não fizemos uma edição crítica, mas tentamos nos aproximar o máximo ao modo como Graciliano queria que seus livros ficassem", explica o autor do estudo "graciliano" "Corpos Escritos".
A calibragem do texto e o novo projeto gráfico dos livros não serão as únicas novidades. Cada livro terá no final um novo posfácio, encomendado para a reedição. Na equipe de posfaciadores estão desde o biógrafo de Graciliano, Dênis de Moraes, até um veterano em seus estudos, o crítico Silviano Santiago.
A reedição não é a única lembrança aos 50 anos sem o escritor. Sua obra também está sendo lembrada no Sesc Pompéia, em São Paulo, onde está em cartaz a exposição "Chão de Graciliano".
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