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28/03/2003 - 08h32

Não sou a Ivete Sangalo, diz vocalista do Babado Novo

MARCELO BARTOLOMEI
Editor de entretenimento da Folha Online

Embora diga admirar a cantora baiana Ivete Sangalo, Cláudia Leite, 22, vocalista do Babado Novo, a nova promessa de Salvador, admite ficar irritada com a comparação.

"Todo mundo me pergunta isso. Aos poucos as pessoas vão entender que eu sou diferente", afirmou a cantora, que vendeu 300 mil CDs piratas, fruto de uma gravação em um show no Nordeste, antes de ter, sequer, uma gravadora oficial.

Veja trechos da entrevista com a cantora:

Folha Online - Quem são seus ídolos?

Cláudia -
Tenho vários. Como referência em Salvador tenho Adelmo Casé, Daniela, Ivete, Margareth... Brown, Djavan... todos os baianos.

Folha Online - Você já foi atrás de quem no trio elétrico?

Cláudia -
Eu comecei a trabalhar muito nova. Foi em 96. Não tive tempo de ir para a avenida. Fui umas duas vezes. Uma eu cantava na banda Crocodilo uma vez e surgiu a oportunidade de subir no trio de Daniela Mercury, que é a musa, a rainha, por quem eu tenho uma admiração enorme... Eu fiquei boquiaberta e prestei atenção em todos os movimentos dela, a impostação de voz, a postura...

Eu fui com um namorado que eu tive e umas primas no Campo Grande e subi numa árvore e fiquei bem perto dos trios, vi todo mundo do meu lado. Fiquei emocionada porque aquele era o lugar onde eu gostaria de estar. É o melhor suor... vale a pena.

Folha Imagem
A cantora Cláudia Leite,
no trio elétrio em Salvador
Folha Online - O que você diz para quem acha que você é um clone de Ivete Sangalo?

Cláudia -
Eu espero que quem diz isso tenha paciência e consiga conceber meu trabalho. Não espero que aceite nem que leve para dentro de casa, mas que respeite, pois eu não tenho a intenção de copiar Ivete. Meu repertório não tem uma música sequer dela embora eu admire muito ela.

Não tenho culpa se as pessoas acham que meu timbre de voz se parece com o dela, embora eu não ache e tenha muita referência de Ivete no meu trabalho porque ela é uma coisa muito boa de se ver e ouvir.

Todo mundo me pergunta isso. Aos poucos as pessoas vão entender que eu sou diferente. Sou assim, do meu jeito, desde que me entendo por gente. Eu adoro Ivete. Conheço ela, mas nem ela me acha parecida, ao menos nunca me disse. Ela própria me deu conselhos. Na época eu passei por umas dificuldades no trabalho e ela me deu umas dicas. Ela é muito inteligente, uma pessoa admirável como mulher e como cantora. Eu tenho muita coisa de Ivete no meu trabalho, mas nada que possa me classificar como a sombra dela. Se me perguntam: Você é o clone de Ivete? Eu respondo que claro que não, pois não fui concebida em laboratório.

Folha Online - Qual seu objetivo?

Cláudia -
Ser feliz.

Folha Online - Babado Novo veio para ficar? Não vai ser efêmero?

Cláudia -
Veio para ficar.

Folha Online - De onde você tira tanta certeza com um mercado fonográfico em crise? Vocês lançaram o primeiro CD, assinaram contrato com a Universal Music e estouraram no Carnaval. E agora?

Cláudia -
Acredito muito que a gente veio para ficar porque não foi uma coisa implantada. Foi uma evolução natural. A gente fez um show e a procura começou a aumentar em função disso.

A nossa gravadora, a Polidisc, que é forte aqui no Norte e Nordeste, fez um acordo com a Universal, que vai distribuir nosso primeiro CD na região Sul.

Folha Online - Ao mesmo tempo, vocês são parte de um fenômeno (negativo para o mercado) que é a pirataria. Como foi isso?

Cláudia -
A gente vendeu cerca de 300 mil cópias piratas. Foram sete CDs. Aconteceu com o Bruno & Marrone e com o Harmonia do Samba. Eles gravam nos shows e saem vendendo. O povo lançou o Harmonia do Samba. A gente fez um show na Paraíba, em Sousa, e foi lá que fizeram um CD pirata e espalharam pela cidade.

Quando eu me vi estava dando autógrafo em CD pirata.

Folha Online - Sua família lhe apóia e curte a música do Babado Novo?

Cláudia -
Hoje, sim. No início, eles queriam que eu fosse advogada mesmo. Tinham até vergonha de dizer que a filha era cantora, acho. Talvez porque minha avó foi uma cantora de rádio frustrada (risos). A bichinha cantava no rádio, ficava envergonhada e ia embora. Naquela época toda mulher que cantava no rádio era mal vista, né? Eu gosto de estudar.

Mas agora todos me apóiam. Minha mãe tinha preconceito e achava que artista era tudo louco. Ela agora viu que tudo é normal. Existe droga na porta da escola e em todas as profissões. Eu sou caretona. Eu tinha 17 anos quando eu disse que era isso que eu queria. Eles largaram tudo e me deram apoio.

Todos os dias eles estavam em cima do trio atrás de mim.

Meu pai é carioca e minha mãe, baiana. Eu nasci no Rio, mas com 5 dias eu vim para Salvador e me considero baiana. Minha avó canta o dia inteiro. Ela nunca realizou o sonho dela de cantar no rádio. Ela canta muito afinado. Eu tenho dois tios, o Raimundo, que faleceu, e que me acompanhava com o violão em todas as músicas que eu cantava, e tenho outro tio, o Cássio, que é guitarrista de uma banda de rock'n'roll.

Folha Online - Como você está lidando com a fama? Você tem noção do que já está acontecendo?

Cláudia -
Eu tenho um pouco, mas não tenho medo. Seguro na mão de Deus. E ele diz assim: Se eu sou por ti, quem será contra ti. Eu estou me expondo e tenho que pagar por isso. Tenho consciência disso. Eu não espero nada porque eu só quero ser feliz. Eu acho que algumas pessoas vão falar algo, mas isso é natural. Está tudo maravilhoso. Era o que eu queria. Estou disposta a enfrentar. Tenho medo, às vezes, porque falo demais. Sou muito espontânea e pode ser que eu diga algo e seja mal interpretada. Preciso controlar esta minha impulsividade. No mais, estou em paz, feliz e radiante. Quero que continue assim.

Não quero que minha vida pessoal seja exposta. No que se referir ao meu trabalho, pode falar.

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