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Ilustrada
15/08/2007 - 13h33

Aspirante a cineasta, Márcio Garcia luta contra "preconceito BBB"

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DÉBORA BERGAMASCO
da Folha Online

O ator, apresentador e novo nome na produção cinematográfica do Brasil, Márcio Garcia, 37, diz ter consciência de que muitos críticos vão pegar em seu pé por causa de sua nova escolha artística, o cinema. Em entrevista à Folha Online, ele fala sobre preconceito e se compara a ex-participantes do "Big Brother" --que, para ele, têm seu valor diminuído por terem ficado famosos no reality show.

João Sal/Folha Imagem
Márcio é diretor artístico da Record Filmes e desenvolve projetos paralelos como cineasta
Márcio é diretor artístico da Record Filmes e desenvolve projetos paralelos como cineasta

"Tão feio quanto falar do negro e do gay é você dizer que um cara que foi BBB não serve para mais nada. Ele é um ser humano. Ele pode ter um enorme talento dentro dele e topou fazer o BBB pela grana. Ele é gente, pô", defende Márcio.

Garcia é um dos idealizadores e diretor artístico da Record Filmes --espécie de Globo Filmes com pretensões internacionais. Em projeto paralelo e anterior ao da produtora, Márcio se lança como cineasta --ele é autor de dois projetos de filmes já vendidos para outras produtoras.

"Quero dirigir porque eu amo cinema. Acredito que meus filmes vão fazer sucesso sim, mas porque estou cercado por gente que tem experiência. Por acaso o [Steven] Spielberg, sendo quem é, bota qualquer um para fazer câmera ou para ser ator? Isso é enfiar a cara no poste", compara Márcio.

O apresentador do "Melhor do Brasil" da Record diz que trabalhar na produção de cinema após ser galã de folhetim é carregar um rótulo. "Acho que os próprios cineastas se perguntam o que um ator de novela vai fazer no cinema."

João Sal/Folha Imagem
Márcio Garcia diz que falar mal de BBB é tão feio quanto ter preconceito contra negro e gay
Márcio Garcia diz que falar mal de BBB é tão feio quanto ter preconceito contra negro e gay

"Estou com 37 anos, li para caramba, fui além de onde um diretor deve ir. Estou preocupado em aprender sobre lente, câmeras, películas, cor, luz, som. Tem diretor de cinema hoje que não sabe nada disso", provoca.

Garcia diz considerar a produção cinematográfica no Brasil "amadora" por se restringir ao mercado nacional. "Ninguém aqui ganha dinheiro, só as salas de cinema. É ficar restrito a um grande sucesso que vai sobrar R$ 4 milhões para quem produziu --o que em nível de emissora de televisão é nada."

A receita dele para tornar a produção nacional mais lucrativa é, anote aí: "produzir um filme no Brasil com um artista internacional com umas falas em inglês, bota outro lá falando inglês com ele e o filme vai ser perfeitamente vendível no Brasil e na Europa. Faz estréia nos Estados Unidos ou na Europa, daí você ganha dinheiro no estrangeiro e depois vem para o Brasil".

Ele também critica as produções que mostram pobrezas do país. "Não dá para ficar vendendo 'Cidade de Deus' e 'Carandiru' a vida inteira. Os Estados Unidos fazem o nome em cima do 'american way of life' e a gente enterra o Brasil em cima de filmes que vendem a nossa pobreza. É muito bonito, é muito poético, mas isso queima o filme do Brasil. Vamos vender Angra dos Reis, Paraty, a Floresta Amazônica..."

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