Ilustrada
19/08/2007 - 19h41

Vera Holtz faz sucesso como socialite falida Marion em "Paraíso Tropical"

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VIVIAN MASSUTTI
do Agora

Em tramas das oito, ela já roubou a cena interpretando a alcoólatra Santana e Ornela, a perua chegada em garotos de programa. Com a socialite falida Marion Novaes, de "Paraíso Tropical", não poderia ser diferente: Vera Holtz caiu nas graças do público e ainda arranca elogio dos autores da trama e de colegas. A novela entra em sua reta final sem dar indícios de que a trambiqueira vai se dar bem. Fora da ficção, a atriz também demorou um pouco para encontrar seu caminho.

"Foi tudo mais ou menos por acaso", diz ela, que fez faculdade de artes plásticas e chegou a dar aulas de geometria em uma escola de Piracicaba, interior de São Paulo, antes de decidir se mudar para a capital e ingressar no curso de artes dramáticas da Escola de Comunicação de Artes da USP. Aos 57 anos (completados no último dia 7), Vera acha que, agora, está onde deveria. "Minha vida é a arte", avalia.

Divulgação
Vera Holtz brilha na pele de socialite falita na novela "Paraíso Tropical"
Vera Holtz brilha na pele de socialite falida na novela "Paraíso Tropical"

Paulista de Tatuí, a atriz acredita que sua história poderia perfeitamente ter sido outra se não fossem algumas oportunidades que surgiram quando ela estava na faculdade -e trabalhava desenhando mapas no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). A primeira delas aconteceu em 1977, quando Vera, então com 24 anos, recebeu um convite para estrear no teatro. A peça era "Rasga Coração", de Vianinha (o famoso dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho), e fez com que ela se alinhasse ao "teatro de resistência" da época.

Mesmo assim, Vera ressalta: "A minha vida não é pautada pelo desejo de ser atriz. O que aparece eu vou fazendo, sou uma pessoa livre". Ela lembra que foi o mesmo ponto de vista que culminou na sua decisão de não subir ao altar nem ter filhos. "Nunca casei. Minha parceria mais constante foi com o mundo da ficção. Como já tenho meus personagens para criar, não tive muito tempo para ter meus filhos", conta. Com ar um brincalhão, completa: "Nunca me preocupei muito com esse lance da procriação humana".

Importando-se mais com a oportunidade de emprego na área do que com o papel, em 1989, 12 anos após "Rasga Coração" e com mais peças na bagagem, ela chegou à TV como Fanny, em "Que Rei Sou Eu?" (Globo), novela de Cassiano Gabus Mendes. A estréia no cinema aconteceu três anos depois, com "Assim na Tela como no Céu". A partir daí, conciliou mais atuações no cinema, como "Carlota Joaquina, Princesa do Brasil" (1995), com as novelas que iam surgindo na Globo.

Nessa toada, passou por "O Fim do Mundo" (1996) e chegou a "Mulheres Apaixonadas" (2003), na qual viveu uma das personagens mais polêmicas da carreira, a acoólatra Santana. O autor da trama, Manoel Carlos, diz que a escolha da atriz para vivê-la foi criteriosa: "Precisava de alguém que, além de talentosa, visse o papel com o alcance que eu queria. A escolha da Vera foi perfeita", afirma ele.

Diversão

Para os colegas de profissão, contracenar com ela é uma diversão à parte. "A Vera é uma pessoa extremamente extrovertida e uma excelente parceira de cena", conta Cauã Reymond, que fez par romântico com a atriz em "Belíssima", trama na qual ela era a divertida ricaça Ornela, que gastava boa parte de sua fortuna com o garoto de programa Mateus, vivido por Reymond.

Guilhermina Guinle, a Alice de "Paraíso", é outra que destaca o lado brincalhão da atriz, sempre marcante nos bastidores. "Quando tem a Vera na cena, a gente sabe que o dia de gravação vai ser uma alegria só."

A sua simpatia, segundo colegas, é o que faz com que cative colegas e telespectadores. "Graças ao carisma dela, a Marion ultrapassou os limites da vilã e se humanizou, virou uma mulher de carne e osso", conta Ricardo Linhares, autor de "Paraíso Tropical" ao lado de Gilberto Braga.

A ausência de estrelismo é lembrada também pelo autor Silvio de Abreu, que trabalhou com Vera em "Belíssima" (2005) e em "A Próxima Vítima" (1995). "Ela é uma pessoa adorável, grande colega e positiva", ressalta o autor, que relembra as personagens de Vera nas duas novelas. "Escrevi Ornela, uma perua sofisticadíssima, especialmente para ela, da mesma maneira que havia escrito Quitéria Quarta-feira, uma prostituta pobre, em "A Próxima Vítima'", diz.

Para Abreu, os dois papéis, tão diferentes, destacam ainda mais o brilho da intérprete. "A Vera é uma de nossas melhores atrizes. Só uma profissional versátil conseguiria revestir com a mesma verdade dois papéis opostos assim", avalia o autor.

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