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Ilustrada
23/08/2007 - 06h30

"Somos musas, mesmo", afirma Thalma de Freitas, da Orquestra Imperial

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LUCAS NEVES
da Folha de S.Paulo

Uma gosta de colecionar papéis (de ingressos a embrulhos), desenhar as próprias roupas e garimpar músicas antigas "com cara de coisa feita agora", mas se achava "nerd" quando criança por saber quem era Pixinguinha. A outra, filha de maestro formada ao som de "Saltimbancos", Elis Regina e Menudo, prefere se definir como intérprete (de texto e música) e sonha estrelar um musical -ou um seriado de ação à "Esquadrão Classe A", em que veteranos do Vietnã acusados de um roubo a banco agiam como mercenários nos EUA.

Danilo Verpa/Folha Imagem
As cantoras da Orquestra Imperial, Nina Becker e Thalma de Freitas
As cantoras da Orquestra Imperial, Nina Becker e Thalma de Freitas

Uma é Nina Becker, 33. A outra, Thalma de Freitas, outros 33. Juntas, respondem pela diminuta ala feminina da Orquestra Imperial, que faz show de lançamento do CD "Carnaval Só Ano que Vem" hoje à noite, em São Paulo. Acompanhadas por 17 marmanjos, elas encaram de formas diferentes o título de musas. "Não há rótulos tão cristalizados. O que tem é a amizade, que transcende os futricos de camarim", desconversa Nina.

"Ficamos [ela e Becker] de musas, mesmo. Não temos mais 20 anos. Não cabe essa de mascote. Ou ficamos de divas, ou de chatas", brinca Thalma.

Em comum, elas criticam as intérpretes que se lançam com regravações de clássicos da MPB. "Acho um absurdo meninas mais novas do que eu ficarem cantando Chico Buarque, coisas que já foram gravadas milhares de vezes. Fico aborrecida com isso. O que é novo tem um risco maior", diz Nina.

"Não ligo para essas meninas, não sei quem elas são e não vou ao show delas. Caguei!", emenda Thalma, para em seguida arrematar, em tom jocoso: "Gosto de trabalhar com canções inéditas porque não tenho que pagar tanto em direitos autorais. Canto música de quem está passando perrengue!".

Mas quem já foi aos shows da orquestra sabe que boa parte do repertório é de relíquias catadas de outros Carnavais. Na turnê de lançamento do álbum de estréia, que já passou por BH e Rio, o público tem ouvido, além das novidades, "Fita Amarela" (Noel Rosa), "A Ordem É Samba" (Jackson do Pandeiro/Severino Ramos) e "Tenha Pena de Mim" (Ciro de Sousa/ Babaú), entre outras.

Não é só farra

Quando o disco chegou às lojas, em junho passado, a imprensa chamou a atenção para a relativa sobriedade das composições, em contraste com a euforia observada nos "bailes-shows" da orquestra. Nina não vê aí uma mudança de tom, mas sim "o resultado de um trabalho mais autoral". "A alegria não é necessariamente histriônica. O show de fato é mais descontrolado. Vocês dizem que a gente sabe fazer farra; quisemos mostrar que fazemos boa música também."

Para Thalma, a gaiatice que marca as apresentações ao vivo não se perdeu. "Gravamos o CD em dez dias. Não fizemos mais de três "takes" para nenhuma música. Não deixa de ser tão espontâneo quanto o show."

As participações especiais também fazem parte da assinatura da Orquestra. Zeca Pagodinho, Caetano Veloso e a musa do tecnobrega Gabi Amarantos estão entre os que já dividiram o palco com a banda. Quem poderia se somar à lista? "Adoraria trazer o Miltinho e a Elke Maravilha", diz Nina. Thalma faria um replay. "A Alcione poderia repetir "Devagar com a Louça" com a gente. Me joguei no chão quando ela cantou com a orquestra", lembra Thalma.

Não há convidados previstos para o show desta noite.

Carreira solo

Longe da orquestra, Nina --que já foi diretora de arte na Conspiração Filmes-- mantém um ateliê de costura no Rio, mas rejeita o rótulo tradicional de estilista. "Faço roupa, não moda. Estilo, cada um tem o seu. Se vira, pô!"

Já Thalma, no ar na novela "Sete Pecados" como um anjo que protege Dante (Reynaldo Gianecchini), tem feito shows com o pai, Laércio de Freitas, e grava até o fim do ano um disco voz e violão, acompanhada por Paulão Sete Cordas. O repertório é de "músicas de cortar os pulsos". Dor assim, nem a galhofa da Orquestra consegue remediar.

ORQUESTRA IMPERIAL
Quando: hoje, às 21h30
Onde: Citibank Hall (av. Jamaris, 213, Moema, tel. 0/xx/11 6846-6040)
Quanto: de R$ 35 (platéia) a R$ 60 (camarote)

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