Ilustrada
28/09/2007 - 09h26

Diretor de "Antes do Pôr-do-Sol" analisa o fast food em novo filme

SÉRGIO RIZZO
do Guia da Folha

Há algo da postura irônica e agressiva de Michael Moore, transposta do documentário para a ficção, em "Nação Fast Food". Não por acaso, o filme se baseia em livro-reportagem que investe contra certas características dos EUA com a mesma virulência argumentativa de Moore: "País Fast Food - O Lado Nocivo da Comida Norte-Americana", de Eric Schlosser, publicado no Brasil em 2001.

Schlosser e o diretor Richard Linklater ("Antes do Pôr-do-Sol", "O Homem Duplo") assinam o roteiro, que procura demonstrar as teses do livro com uma história protagonizada por diversos personagens. O centro da ação é uma fictícia cadeia de restaurantes de refeição rápida, bem-sucedida no lançamento do sanduíche "Grandão".

A suspeita de que a carne usada por ela apresenta índices elevados de coliformes fecais leva um executivo (Greg Kinnear) à cidade onde funciona a principal fornecedora da rede.

As tramas paralelas envolvem funcionários de uma das lanchonetes (entre eles, o jovem Paul Dano, que fez o filho de Kinnear em "Pequena Miss Sunshine"), imigrantes mexicanos ilegais (uma das moças é interpretada pela colombiana Catalina Sandino Moreno, de "Maria Cheia de Graça"), um cínico representante da cadeia (Bruce Willis), um fazendeiro bem informado (Kris Kristofferson) e um tio rebelde (Ethan Hawke) que discursa pelas boas causas do filme.

Por mais retórica que seja a ficção na crítica à sociedade de consumo via cultura do fast food, não há nada comparado à força das imagens documentais de um matadouro. Aí, Linklater incorpora Moore para valer, o que significa incomodar.

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