Em Cannes, "Carandiru" gera pouco interesse na imprensa
SILVANA ARANTESda Folha de S.Paulo, em Cannes
Depois do alvoroço causado por "Dogville", de Lars von Trier, sobrou pouco interesse da imprensa internacional que cobre o Festival de Cannes para "Carandiru", de Hector Babenco.
A entrevista coletiva do diretor brasileiro e de seu elenco, hoje à tarde, atraiu um número reduzido de jornalistas e suscitou apenas duas perguntas.
A repórter do diário italiano "Corriere della Sera" quis saber por que o filme era um sucesso de público no Brasil. O enviado de um jornal de Los Angeles perguntou se livro e filme haviam contribuído para desativar a Casa de Detenção, em São Paulo.
Todas as demais questões respondidas por Babenco, pelo médico Drauzio Varella (autor de "Estação Carandiru", no qual o filme se baseia) e pelos atores Rodrigo Santoro, Caio Blat, Aída Lerner e Maria Luísa Mendonça foram formuladas pelo mediador contratado pelo festival.
Babenco disse ao "Corriere della Sera" que o tema da violência urbana intriga e interessa à platéia brasileira e estimou que seu filme chegará a 4,5 milhões de espectadores no Brasil. O público atual é de 3,3 milhões.
Ao jornalista norte-americano, Babenco respondeu: "Não temos esse poder". E afirmou não acreditar que uma obra de arte, qualquer que seja, possa provocar mudanças na sociedade.
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