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10/10/2007 - 08h35

Após dança do siri, "Pânico" exagera no "merchã" e gera queixas

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LAURA MATTOS
da Folha de S.Paulo

O "Pânico na TV" virou um programa de televendas. No último domingo, das duas horas e 15 minutos em que permaneceu no ar, apenas pouco mais da metade foi dedicado às piadas, enquanto intervalos comerciais e merchandisings ocuparam 51 minutos.

Foram 16 ações de merchandising --aquelas na qual os comediantes interrompem o programa para anunciar um produto--, entre elas a da Kaiser, da Coca-Cola, da Suzuki, da Intelig e das cuecas Mash. Os humoristas chegaram até a satirizar o excesso de propaganda, dizendo que o "Pânico" está mais para Shop Tour (canal só de vendas).

Divulgação
Humoristas do "Pânico", sucesso da Rede TV!, participam da "guerra dos tomates"; veja galeria
Humoristas do "Pânico", sucesso da Rede TV!, participam da "guerra dos tomates"; veja galeria

Mas, nos bastidores, a cúpula do programa não vê a menor graça nisso, segundo a Folha apurou. Sustenta que o espaço dado a comerciais --40% da duração-- é o dobro da média de outros programas, como "Domingão do Faustão". A venda do espaço é realizada pela Rede TV!, e, apesar de receberem uma porcentagem pelas publicidades, os humoristas temem que a falta de limites possa cansar o telespectador e derrubar a audiência.

"Dança do Siri"

No último domingo, o "Pânico na TV" registrou pouco mais de sete pontos no Ibope, resultado que fica na média de seu desempenho normal (cada ponto corresponde a 55 mil domicílios na Grande São Paulo).

Internamente, a avaliação é que, uma vez que recentemente não houve uma subida significativa no Ibope, o interesse do mercado publicitário pode ter aumentado em razão da forte repercussão da "Dança do Siri" --brincadeira na qual os humoristas do "Pânico" fazem famosos dançar de um lado para o outro, imitando um siri.

Contrato

Apesar do mal-estar, a equipe do "Pânico na TV" não pode exigir um limite da Rede TV!. O último contrato assinado entre o grupo e a emissora, que prevê a exibição do "Pânico" no canal até 2009, estipula que o lucro comercial será dividido, mas não dá aos humoristas poder de restringir a publicidade.

A Rede TV! foi procurada pela Folha por meio de sua assessoria de imprensa. Mas, até o fechamento desta edição, não havia se pronunciado.

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