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12/10/2007 - 17h54

Leia a repercussão da morte do ator Paulo Autran

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da Folha de S.Paulo

Atualizada às 22h27

Leia abaixo a repercussão da morte do ator Paulo Autran, aos 85 anos, nesta sexta-feira, em São Paulo:

ADRIANA LESSA, atriz:
"O Paulo era e continuará sendo uma luz para o cidadão e artista brasileiro. Toda a dignidade, tudo o que apresentou para nós, sem dúvida ele fará muita falta. Ele fazia questão de prestigiar espetáculos não só de artistas conhecidos, mas também de pessoas que estavam começando a carreira. Paulo Autran é um grande estimulador da arte e da cultura. Ele deixa um legado que não pode ser esquecido jamais. Ser artista no Brasil é algo como Paulo Autran, Cartola. Admirava ele como profissional e cidadão. O Paulo só faz fortalecer em mim a coragem para continuar meu aprendizado."

ADRIANE GALISTEU, atriz e apresentadora:
"É impossível não ficar abalada. O Brasil inteiro está abalado com a morte do Paulo. Tive o privilégio de ser dirigida por ele na peça "Dia das Mães" e de participar da intimidade dele como amiga. Costumávamos jogar baralho juntos. Ele é um grande incentivador da minha carreira. Paulo Autran tem um talento indiscutível, uma generosidade, brilhantismo. Impossível definir o Paulo. Ele ficará imortalizado. Não encontrarei mais com ele em restaurantes, não o verei mais nos palcos, mas a figura dele permanecerá imortal. Fiquei muito triste, foi um baque, um choque, mas uma figura como ele não morre para mim jamais."

AMIR HADDAD, diretor:
"Eu comecei a fazer teatro graças às coisas que atores como Paulo fizeram. Ele sempre foi um emblema, um símbolo para mim. Quando desaparece uma força dessa, abre um buraco na cabeça. E me dá um medo, porque já não temos tantos atores como ele, de teatro mesmo. Podemos dizer que morreu um homem de teatro."

ANTÔNIO ABUJAMRA, ator:
"O Paulo foi um ator que todos gostaríamos de ser. Ele sempre ajudou a todos nós, foi um caminho a ser seguido. Trabalho comigo numa peça no Rio com uma generosidade fantástica. somos todos apaixonados por ele, e a inveja de possuir uma voluptuosidade invejável para a cena."

CAO HAMBURGER, cineasta:
"Trabalhar com Paulo Autran foi um privilégio. Sua participação mais que especial no filme 'O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias' demonstrou sua grande generosidade ao aceitar nosso convite e principalmente pelas longas conversas sobre cinema e sobre o filme que estávamos fazendo."

CÁSSIO SCAPIN, ator:
"Fazer com ele 'Visitando o Sr. Green' foi maravilhoso. Além de trabalhar com um grande ator, ganhei um grande amigo. Paulo é um artista que viveu e morreu como queria: no palco. Ele praticamente morreu no palco. Tinha acabado de fazer o 'Avarento' e, mesmo quando já não estava bem, planejava fazer uma peça com a Karen [Rodrigues, mulher de Autran], 'Carta de Amor'."

CÉLIA FORTE, assessora e amiga desde 1989:
"Está estranho para mim. Nunca tive essa sensação antes. Além de trabalharmos juntos, tenho adoração por ele. Ele me ensinou tudo o que sei hoje, abri minha assessoria em 1985 e em 1989 começamos nossa parceria. Estou com uma sensação de desespero, tristeza, angústia. O Paulo é meu amigo e sempre foi de uma grande integridade humana. Ele ajudou uma geração toda a amar o teatro. Peças em cartaz em São Paulo e no Rio de Janeiro farão uma homenagem ao Paulo nesta sexta-feira (12). O teatro será entregue a ele hoje. Todos vão devolver tudo o que ele fez em prol da arte. Ele é insubstituível, não há igual como homem, figura pública. Ninguém tinha paixão e via o teatro como ele. A imprensa tem feito vários homenagens, ele merece ser reconhecido pelo o que era e pelo que fez a vida inteira."

CELSO FRATESCHI, ator e presidente da Funarte:
"Paulo é meu padrinho de casamento. Foi uma pessoa muito importante na minha vida pessoal. Como homem público, como ator, ele é sinônimo de teatro. Se perguntar a qualquer brasileiro a que associa a palavra teatro, vai dizer Paulo Autran. Isso só dignifica nossa profissão. Para ele, acho que [a morte] foi um sossego, porque estava sofrendo muito com a doença. Mas, para todos nós, é uma perda irreparável."

CLEYDE YÁCONIS, atriz:
"É uma tragédia você perder um Paulo --o teatro da idéia, da mensagem. Pode chamar de careta, mas é como a gente é. Sou espiritualista. Acho que [a carreira dele] não era uma profissão, era uma missão. E ele cumpriu. Trabalhou até o final, até quando o corpo permitiu."

DOMINGOS OLIVEIRA, ator, dramaturgo, diretor de teatro e cineasta:
"É difícil falar diante do vazio que ele nos deixa. É um ator único e insubstituível, um homem único e insubstituível. Representa finura, elegância, sofisticação, participação social. Vai deixar uma saudade danada."

FELIPE HIRSCH, diretor da peça "O Avarento":
"O teatro brasileiro perde uma pessoa muito especial, alguém que não abdicou do teatro nem por um minuto. Ele queria continuar fazendo teatro e estava muito triste por não poder. Isso foi definitivo para ele ficar mais frágil. Paulo sempre foi muito intenso, mesmo quando estava frágil. Nos últimos meses, manteve uma atitude espirituosa, alegre."

FERNANDA TORRES, atriz:
"Fico feliz de ter visto o Paulo no 'Avarento', inteiro e maravilhoso com mais de 80 anos, com casa cheia. Encerrou a carreira com uma peça de ouro. Foi inteiro até o fim."

HECTOR BABENCO, cineasta:
"Uma perda capital, um Brasil que se vai. Fica o Brasil da barbárie imperando. Um grande homem, grande ator, grande homem de teatro, que viveu intensamente as vitórias e as derrotas. Na próxima encarnação, quero voltar Paulo Autran!"

JOHN HERBERT, ator:
"Era um grande colega, um grande brincalhão, um gozador. O coração chora."

JOSÉ SERRA, governador do Estado de São Paulo:
"Fiquei muito triste com o desaparecimento do Paulo Autran. Considerava-o o maior ator brasileiro vivo. Tinha com ele uma relação muito cordial e o admirava como ator desde as primeiras peças de teatro que assisti quando adolescente. Na verdade, a história do teatro moderno brasileiro se confunde com a história do próprio Paulo. Encontrei-o há apenas duas semanas, na entrega do prêmio Bravo, quando o Paulo foi eleito o artista do ano pelo voto popular. Ele se emocionou como nunca o vi antes fazê-lo em público. E emocionou a todos nós. Vamos sentir muito a sua falta."

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA E MARISA LETÍCIA, presidente da República e primeira-dama:
"Paulo Autran nos deu o privilégio de apreciar seu talento em momentos inesquecíveis do teatro, cinema e da TV. Engrandeceu a dramaturgia e o Brasil com interpretações, que fizeram rir, chorar e refletir."

MARCO NANINI, ator:
"É um ator único, uma referência deslumbrante de amor ao ofício, correção profissional e postura como homem. Passei minha carreira vendo o Paulo trabalhar, vi seu Édipo inesquecível, fiquei emocionadíssimo com seu 'Quadrante'. Vou rezar para ele antes do espetáculo ['O Bem-amado'] hoje."

MARIA DELLA COSTA, atriz:
"Era um companheirão, que viveu para sua arte e respeitou sua profissão. É um exemplo para os jovens. Nossa geração enfrentou duas ditaduras terríveis: a de Getúlio e a militar. Mas Paulo é prova de que o teatro jamais morrerá."

MARÍLIA PÊRA, atriz:
"A gente fica buscando como falar de uma pessoa desse tamanho... O melhor a dizer é que ele é inesquecível, virou eterno, ficará para sempre nas nossas memórias e nos nossos corações. Aos 18 anos, fui bailarina dele no 'My Fair Lady'. Foi quando o conheci. Ele ia se apresentar no teatro mesmo quando estava doente, com o braço quebrado, sem voz. São coisas que um ator qualquer não faz, e essa foi uma lição que ele me ensinou."

MARISA ORTH, atriz:
"Ficou chique ser ator depois dele. Era bacanérrimo, humildíssimo. A vida dele foi linda."

PAULO DE MORAES, que dirigiu Autran em "A Tempestade", de Shakespeare, em 95:
"Ele teve uma importância absurda para mim. Aceitou passar dois meses e meio em Londrina com um grupo de que nunca tinha ouvido falar [Cia. Armazém de Teatro], e logo no início me disse: 'nunca vou discutir com você no ensaio, mas depois saímos para jantar'. Mesmo quando ele discordava, tentava entrar nas minhas propostas. Era um ator muito corajoso, e fiquei ainda mais fã dele depois que trabalhamos juntos."

SÁBATO MAGALDI, crítico:
"Por sua capacidade de fazer tanto peças clássicas quanto modernas, Paulo Autran foi um dos maiores talentos do palco brasileiros. Ele se tornou uma grande figura do TBC [Teatro Brasileiro de Comédia], na Companhia Tônia-Cheli-Autran e toda essa geração que trabalhou com os diretores [Zibgniew] Ziembinski e Flaminio Bollini, atuou no momento em que teatro brasileiro tinha o mesmo valor do melhor teatro mundial. Não devíamos nada a Itália, França e Estados Unidos."

SÉRGIO BRITTO, ator:
"Na minha geração, mesmo os mais invejosos concordavam que Paulo era o maior ator brasileiro. Era um ícone estabelecido. Ficar um ano em cartaz hoje em dia com uma peça de Molière, como "O Avarento", é só para um ator solidamente querido pelo público. Acompanhei seu trabalho desde a década de 50 e ele estava sempre bem. No início do ano, eu o vi pela última vez e percebi nos seus olhos que estava bem doente. Era o rosto de uma pessoa que sofria."

TÔNIA CARRERO, atriz:
"Não posso falar, se eu falar qualquer coisa vai ser trêmula e esquiva. Não quero falar."

VAZ DE LIMA, deputado estadual (PSDB) e presidente da Assembléia de São Paulo:
"O Brasil perde um dos seus maiores atores, que, com o seu talento, emocionou, encantou e fez rir várias gerações de brasileiros."

WLADIR AGNELLO, deputado estadual (PTB) e presidente em exercício da Assembléia Legislativa de São Paulo:
"O Brasil está de luto com a morte de Paulo Autran. Um dos mais versáteis e talentosos atores do nosso País, Autran fez história no teatro, cinema e, também, na televisão."

Com Folha Online

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Comentários dos leitores
Luciana B (1) 15/10/2007 12h23
Luciana B (1) 15/10/2007 12h23
PORTO ALEGRE / RS
Paulo Autran: ator único, uma pessoa única.
Colocava amor em tudo que fazia.
Ele não morreu pois pessoas assim especiais como ele jamais morrem. Apenas despediu-se desse plano. Descanse em paz, meu querido e admirável ator Paulo Autran. Com carinho da fã, LucianaB.
5 opiniões
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Jhoan Hussane (1) 13/10/2007 20h07
Jhoan Hussane (1) 13/10/2007 20h07
NATAL / RN
A morte do Ator Paulo Autran é uma grande perda para a sociedade brasileira. Um ator que demonstrou até o fim de sua vida sua paixão por sua profissão, a exercendo com orgulho, com qualidade, e principalmente com amor e paixão. Lamentável esta perda!!!...Este é um grande exemplo que todos nós brasileiros podemos seguir, e aprender. Jhoan Hussane - Est. Direito / Natal-RN 9 opiniões
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Luiz Roberto de Castro (8) 13/10/2007 16h01
Luiz Roberto de Castro (8) 13/10/2007 16h01
SAO PAULO / SP
Com esta perda... enfim... fica até difícil de aceitar que - dentre os que estão por aí - estão aqueles muitos canastrões, que com o tempo, se promovem a 'bom ator' ... 20 opiniões
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