Parentes e amigos se despedem do ator Paulo Autran
THIAGO FARIA
Colaboração para a Folha Online
Terminou por volta das 12h20 deste sábado a cerimônia de cremação do corpo do ator Paulo Autran, que morreu ontem em São Paulo. A cerimônia, reservada para parentes e amigos, aconteceu no crematório da Vila Alpina, na zona leste da cidade, e foi acompanhada por cerca de 300 pessoas, entre amigos, parentes e curiosos.
A cerimônia, que durou cerca de 30 minutos, ocorreu ao som de três músicas de Bach, interpretadas pela Filarmônica de Londres. As músicas foram escolhidas pela família por serem as preferidas do ator.
Ao fim da cerimônia, o diretor teatral José Possi Neto fez um discurso em que relembrou a carreira do ator. Vestida de branco, a viúva de Autran, a atriz Karin Rodrigues, foi uma das últimas a se retirar e foi bastante abraçada pelas pessoas que acompanhavam a cerimônia do lado de fora.
"Autran era um homem centrado, que fez o que quis e o que gostava de fazer. A alegria dele vai continuar com a gente", disse o ator Tadeu di Pietro bastante emocionado, ao sair da cerimônia.
Paulo Autran morreu aos 85 anos, vítima de câncer e enfisema pulmonar. Ele estava internado no hospital Sírio-Libanês (centro de São Paulo). O velório ocorreu na Assembléia Legislativa, no Ibirapuera, zona sul de São Paulo entre as 21h30 de sexta e as 11h de hoje. Karin Rodrigues disse que ele pediu que fosse divulgado que o cigarro causou sua morte.
Autran já havia sido internado no sábado passado (5) e recebido alta na terça-feira (9). O ator fazia tratamento de rádio e quimioterapia.
A viúva do ator disse que Autran não era uma pessoa reliogiosa e que a cremação foi um pedido dele antes de morrer.
Carreira
Nascido no Rio de Janeiro, em 7 de setembro de 1922, e formado pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (Universidade de São Paulo) em 1945, Paulo Paquet Autran chegou a abrir um escritório antes de assumir a carreira artística. Ele estreou em um palco (ainda amador) em 1947.
Na TV, seu último trabalho foi na minissérie "Hilda Furacão" (1998), da Globo. Entre seus trabalhos nesse veículo se destacam "Pai Herói" (1979), "Guerra dos Sexos" (1983), "Sassaricando" (1987) e "Brasileiras e Brasileiros" (1990).
Já no cinema esteve recentemente em "A Máquina" (2005) e "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias" (2006).
É no Teatro que Autran possui seu currículo mais extenso. Alguns sucessos do ator nos palcos foram "Otelo", "Antígone", "My Fair Lady", "Liberdade, Liberdade", "A Morte do Caixeiro Viajante", "Visitando o Sr. Green" e "Adivinhe quem Vem para Rezar".
"O Avarento" foi sua 90º montagem teatral. A peça foi traduzida e adaptada por Felipe Hirsch.
Sabatina
Sabatinado pela Folha em novembro de 2005, Autran lembrou momentos insólitos de sua trajetória, como quando cuspiu em Paulo Francis (1930-1997), então crítico de teatro, em defesa da amiga Tônia Carrero.
"Juntei bastante cuspe e cuspi com prazer", recorda ele. Em outra oportunidade, tentou dar um soco no crítico pelo mesmo motivo, mas não foi muito bem-sucedido. "Nunca havia dado um soco em ninguém. É difícil, sabe? O corpo se contrai, o braço fica sem força", revelou, bem-humorado.
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Especial


Colocava amor em tudo que fazia.
Ele não morreu pois pessoas assim especiais como ele jamais morrem. Apenas despediu-se desse plano. Descanse em paz, meu querido e admirável ator Paulo Autran. Com carinho da fã, LucianaB.
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