Publicidade

Ilustrada
15/10/2007 - 02h38

Artigo: O teatro enfrenta o silêncio

Publicidade

FELIPE HIRSCH
Especial para a Folha de S.Paulo

Silencia os ruídos da história do teatro nesse país, por um momento, e escuta o imenso vazio. Minha alma acordou assim, sem uma resposta cálida, terna, medida da sabedoria, cheia de humor. Paulo Autran é o homem que mais amou o teatro. Isso parece simples, mas é mais importante que tudo. Todos nós deveremos lembrar isso daqui em diante.

Sobre toda a experiência teatral; sobre toda a idéia; sobre todos os conceitos, emoção; sobre todos os instintos; sobre todo talento, vocação; sobre toda memória, sentidos, educação, cultura, política; sobre o tempo ruim e mesmo sobre o bom tempo, o amor desse homem pelo teatro será a regra.

Paulo é só um dos responsáveis por eternizar a poesia de Shakespeare, Beckett ou Molière, por exemplo, e mesmo sofrendo a exaustão da repetição através dos séculos, repetia porque amava cada minuto de sua vida no palco. E um minuto desse amor é mais forte que um século de silêncio.

É por isso que ouço esse vazio que vem da rua, da praça, da cidade, que toca o país e a própria história. Por um momento, ninguém responde a Desdêmona sua pergunta: "Deixa que eu viva esta noite?".

Paulo aplicou, por vezes, seu grande repertório às pequenas coisas porque sabia que o teatro está também além da obra artística. Ele é uma forma de amor e é assim que precisa ser tratado.

Juca, Antunes Filho, Fernanda, Nanini, todo o jovem teatro desse país, enfrenta o silêncio que faz nessa cidade desde sexta-feira à tarde.

Integrante e co-fundador da Sutil Companhia de Teatro, Felilpe HIrsch, 35, dirigiu Paulo Autran (1922-2007) na última peça que ele protagonizou, "O Avarento", de Molière. O espetáculo ficou em cartaz até 16 de junho de 2007, no teatro Cultura Artística, em São Paulo, quando a temporada foi interrompida por causa da hospitalização de Autran.

Comentários dos leitores
Luciana B (1) 15/10/2007 12h23
Luciana B (1) 15/10/2007 12h23
PORTO ALEGRE / RS
Paulo Autran: ator único, uma pessoa única.
Colocava amor em tudo que fazia.
Ele não morreu pois pessoas assim especiais como ele jamais morrem. Apenas despediu-se desse plano. Descanse em paz, meu querido e admirável ator Paulo Autran. Com carinho da fã, LucianaB.
5 opiniões
avalie fechar
Jhoan Hussane (1) 13/10/2007 20h07
Jhoan Hussane (1) 13/10/2007 20h07
NATAL / RN
A morte do Ator Paulo Autran é uma grande perda para a sociedade brasileira. Um ator que demonstrou até o fim de sua vida sua paixão por sua profissão, a exercendo com orgulho, com qualidade, e principalmente com amor e paixão. Lamentável esta perda!!!...Este é um grande exemplo que todos nós brasileiros podemos seguir, e aprender. Jhoan Hussane - Est. Direito / Natal-RN 9 opiniões
avalie fechar
Luiz Roberto de Castro (8) 13/10/2007 16h01
Luiz Roberto de Castro (8) 13/10/2007 16h01
SAO PAULO / SP
Com esta perda... enfim... fica até difícil de aceitar que - dentre os que estão por aí - estão aqueles muitos canastrões, que com o tempo, se promovem a 'bom ator' ... 20 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (43)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca