Justiça italiana pode investigar testamento de Pavarotti
da Folha Online
A Justiça da Itália reconheceu nesta terça-feira que estuda a possibilidade de iniciar uma investigação para esclarecer a situação do testamento do tenor Luciano Pavarotti.
O jornal "Quotidiano Nazionale" informou em sua edição de hoje que o promotor de Pesaro Massimo Di Patria já teria aberto uma investigação para comprovar as condições nas quais se encontrava Pavarotti quando redigiu o seu último testamento, em 29 de julho.
| Matteo Bazzi/Efe |
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| Luciano Pavarotti e sua mulher, a ex-secretária Nicoletta Mantovani, 35 anos mais jovem |
Posteriormente, Di Patria afirmou apenas recolher artigos publicados sobre o tema para estudar se abre ou não uma investigação.
Ele afirmou que também não formulou nenhuma hipótese de acusação, como afirmava o jornal. Segundo o "Quotidiano Nazional", a investigação seria baseada na hipótese de que o tenor não se encontrava em plenas faculdades físicas e psíquicas quando redigiu a última versão de seu testamento.
No primeiro testamento, redigido em 13 de junho deste ano, o tenor determinava a distribuição eqüitativa dos seus bens entre as quatro filhas, as três do primeiro casamento e a caçula, fruto do casamento com Nicoletta Mantovani. No segundo documento, realizado em 29 de julho, Pavarotti deixa para Mantovani todos os seus bens nos Estados Unidos, gerando assim uma polêmica com o resto da família.
| Katia Christodoulou/Efe |
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| Testamento do tenor pode virar objeto de investigação da Justiça na Itália |
Dentre os bens de Pavarotti nos EUA, estariam três apartamentos em um edifício do bairro do Upper East Side de Nova York, com vista para o Central Park, avaliados em US$ 100 milhões (R$ 179,7 milhões), segundo os veículos de comunicação italianos.
O tenor, que morreu em 6 de setembro em função de um câncer no pâncreas, tinha sido operado nos EUA em julho de 2006. Em 8 de agosto, ele foi internado no Hospital Policlínico de Módena, no norte da Itália, de onde recebeu alta 17 dias depois.
A promotoria reuniu todos os artigos de imprensa com as entrevistas do tabelião que autenticou os testamentos, Luciano Buonanno, nas quais declarava que o último documento tinha sido escrito completamente pelos advogados da família. "Apesar do desacordo em vários pontos, mandaram que nada fosse mudado", afirmou Buonanno.
O tabelião também afirmou que, em sua visita ao tenor para que assinasse o documento, no dia 29 de julho, encontrou Pavarotti deitado na cama, se limitando a concordar com todas as perguntas que lhe eram feitas.
Perante a notícia da possível abertura de uma investigação, o advogado de Nicoletta Mantovani, Giorgio Bernini, disse que as afirmações de Buonanno são falsas e que sua única intenção é sair na imprensa.
O jornal italiano "La Repubblica" publicou dias atrás que Pavarotti tinha acumulado dívidas de 18 milhões de euros (R$ 46,1 milhões). Uma de suas contas mostrava saldo negativo de 11 milhões de euros (R$ 28,1 milhões) e havia uma hipoteca de 7 milhões de euros (R$ 17,9 milhões).
Com Efe e Ansa
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