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Ilustrada
23/10/2007 - 17h23

Justiça italiana pode investigar testamento de Pavarotti

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da Folha Online

A Justiça da Itália reconheceu nesta terça-feira que estuda a possibilidade de iniciar uma investigação para esclarecer a situação do testamento do tenor Luciano Pavarotti.

O jornal "Quotidiano Nazionale" informou em sua edição de hoje que o promotor de Pesaro Massimo Di Patria já teria aberto uma investigação para comprovar as condições nas quais se encontrava Pavarotti quando redigiu o seu último testamento, em 29 de julho.

Matteo Bazzi/Efe
Luciano Pavarotti e sua mulher, a ex-secretária Nicoletta Mantovani, 35 anos mais jovem
Luciano Pavarotti e sua mulher, a ex-secretária Nicoletta Mantovani, 35 anos mais jovem

Posteriormente, Di Patria afirmou apenas recolher artigos publicados sobre o tema para estudar se abre ou não uma investigação.

Ele afirmou que também não formulou nenhuma hipótese de acusação, como afirmava o jornal. Segundo o "Quotidiano Nazional", a investigação seria baseada na hipótese de que o tenor não se encontrava em plenas faculdades físicas e psíquicas quando redigiu a última versão de seu testamento.

No primeiro testamento, redigido em 13 de junho deste ano, o tenor determinava a distribuição eqüitativa dos seus bens entre as quatro filhas, as três do primeiro casamento e a caçula, fruto do casamento com Nicoletta Mantovani. No segundo documento, realizado em 29 de julho, Pavarotti deixa para Mantovani todos os seus bens nos Estados Unidos, gerando assim uma polêmica com o resto da família.

Katia Christodoulou/Efe
Testamento do tenor pode virar objeto de investigação da Justiça na Itália
Testamento do tenor pode virar objeto de investigação da Justiça na Itália

Dentre os bens de Pavarotti nos EUA, estariam três apartamentos em um edifício do bairro do Upper East Side de Nova York, com vista para o Central Park, avaliados em US$ 100 milhões (R$ 179,7 milhões), segundo os veículos de comunicação italianos.

O tenor, que morreu em 6 de setembro em função de um câncer no pâncreas, tinha sido operado nos EUA em julho de 2006. Em 8 de agosto, ele foi internado no Hospital Policlínico de Módena, no norte da Itália, de onde recebeu alta 17 dias depois.

A promotoria reuniu todos os artigos de imprensa com as entrevistas do tabelião que autenticou os testamentos, Luciano Buonanno, nas quais declarava que o último documento tinha sido escrito completamente pelos advogados da família. "Apesar do desacordo em vários pontos, mandaram que nada fosse mudado", afirmou Buonanno.

O tabelião também afirmou que, em sua visita ao tenor para que assinasse o documento, no dia 29 de julho, encontrou Pavarotti deitado na cama, se limitando a concordar com todas as perguntas que lhe eram feitas.

Perante a notícia da possível abertura de uma investigação, o advogado de Nicoletta Mantovani, Giorgio Bernini, disse que as afirmações de Buonanno são falsas e que sua única intenção é sair na imprensa.

O jornal italiano "La Repubblica" publicou dias atrás que Pavarotti tinha acumulado dívidas de 18 milhões de euros (R$ 46,1 milhões). Uma de suas contas mostrava saldo negativo de 11 milhões de euros (R$ 28,1 milhões) e havia uma hipoteca de 7 milhões de euros (R$ 17,9 milhões).

Com Efe e Ansa

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