"Tropa" é criticado por fugir ao clássico nacional, afirma diretor
da Folha Online
O cineasta José Padilha, 40, diretor de "Tropa de Elite", afirmou nesta terça-feira em sabatina promovida pela Folha de S.Paulo que o filme foge da tradição do cinema brasileiro, inspirado no europeu, e que, por isso, é chamado de hollywoodiano, a exemplo do que ocorreu com "Cidade de Deus".
Para o diretor, existe uma tradição no cinema brasileiro de que "é preciso pensar durante o filme". "No cinema nacional, o filme tem que andar lentamente com uma cena do cara sentado na cama ou de uma paisagem para que você possa pensar sobre a cena anterior." Para ele, os críticos estão acostumados a considerar que a emoção está distante da razão, mas "é a emoção que dá peso à razão e diz o que é relevante".
"No 'Cidade de Deus' que eu, aliás, acho brilhante--, o Fernando [Meirelles, diretor] não deu as pausas clássicas e, na cabeça de alguns críticos, impediu o espectador de pensar e fez um filme que glorificou e estetizou a violência. Como em Hollywood os filmes são todos amarradinhos, fica a associação de que filme em que o cara não pensa é de Hollywood", afirma o diretor.
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