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Ilustrada
16/11/2007 - 09h01

Elementos visuais são trunfos do longa "Mutum"

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SÉRGIO RIZZO
do Guia da Folha

Traduzir em imagens a exuberância verbal de João Guimarães Rosa (1908-1967) representou um desafio de grandes proporções a todos os que já se dispuseram a levar suas obras para o cinema e para a TV.

Nesse conjunto heterogêneo de adaptações, que inclui "A Hora e a Vez de Augusto Matraga" (65), "Sagarana, o Duelo" (73) e "A Terceira Margem do Rio" (94), "Mutum" já ocupa lugar de destaque, graças às soluções encontradas pela diretora e co-roteirista Sandra Kogut ("Um Passaporte Húngaro").

O capítulo "Miguilim", do livro "Campo Geral", fornece as coordenadas para a história do menino Thiago (Thiago da Silva Mariz). Ligado estreitamente ao irmão Felipe (Wallison Felipe Leal Barroso), ele tem afeto pela mãe (Izadora Fernandes) e imensas diferenças com o pai (João Miguel). Todos estão presos a uma região no interior de Minas Gerais onde o tempo parece andar com velocidade peculiar.

O principal trunfo do filme é abrir mão do verbo para se sustentar em elementos visuais (a fotografia é de Mauro Pinheiro Jr., de "A Casa de Alice", que também estréia hoje) e, sobretudo, no que extraiu de espontaneidade do trabalho com atores não-profissionais.

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