Publicidade

Ilustrada
23/11/2007 - 10h30

Kanye West se afasta do hip hop e avança no pop

Publicidade

THIAGO NEY
da Folha de S.Paulo

Kanye West não cabe mais no hip hop. Após ter seu nome associado a Michael Jackson, ao Coldplay e ao Emmy Awards, esse norte-americano de 30 anos chega ao final de 2007 como um dos mais emblemáticos e criativos artistas de música... pop.

Divulgação
Kanye West aposta no estilo pop no álbum "Graduation", seu terceiro disco de estúdio
Kanye West aposta no estilo pop no álbum "Graduation", seu terceiro disco de estúdio

A mais recente cartada de West é "Graduation", seu terceiro disco de estúdio, lançado em setembro nos EUA e que chega agora ao Brasil. West não é menos ambicioso e fanfarrão do que muitos dos protagonistas do rap norte-americano. Mas transcende esse mundo ao pinçar com sabedoria referências artísticas das mais diversas.

Já confessou que se inspira no rock clássico -é fã de Killers e, em "Graduation", chamou Chris Martin, do Coldplay, para um dueto. A música eletrônica também é fonte primária. O single "Stronger" é baseado na melodia de "Harder Faster Better Stronger", um hit da dupla francesa Daft Punk.

São credenciais que fizeram de West um artista quase completo. Filho de uma professora e de um fotógrafo, ele cresceu em Chicago e estudou artes numa universidade local. Começou a brincar com música e largou os estudos.

Com belo conhecimento de estúdio, no final dos anos 90, passou a produzir outros artistas. Ganhou notoriedade ao manejar alguns dos principais sucessos de Jay-Z. Em 2004, atirou-se em carreira de cantor, com "The College Dropout".

No ano seguinte, veio "Late Registration". São dois discos que levaram ao rap um frescor pop e uma cadência rítmica saída da soul music e do gospel.

Além disso, West posiciona-se, em disco e fora dele, contra o machismo e a homofobia existentes no hip hop dos EUA. Kanye West tornou-se disputado. Foi convidado pelo U2 para dividir alguns shows no final de 2006. Em julho, esteve no palco com o Police no Live Earth. E foi chamado por Michael Jackson para produzir faixas de seu próximo álbum.

Na última edição do Emmy, a premiação da TV norte-americana, West foi chamado a participar da cerimônia e sua apresentação foi tida como um dos pontos altos do evento.

O disco

Requisitado, elogiado e muito bem pago, West prossegue, com "Graduation", os caminhos seguidos nos dois discos anteriores, em que usa o rap como ponto de partida para produzir música pop de qualiade. As pretensões do álbum aparecem logo de cara. A capa é desenhada por Takashi Murakami, artista que já foi apelidado de "o Andy Warhol japonês" (saiba mais em: www.takashimurakami.com).

"Graduation" traz também um caso curioso. Foi lançado no mesmo dia de "Curtis", de 50 Cent. Este chegou a afirmar que "deixaria de fazer música" se seu CD vendesse menos do que o de West. Na primeira semana, foram vendidas 957 mil cópias de "Graduation", contra 691 mil de "Curtis".

As vendas de "Graduation" foram puxadas em grande parte pelo sucesso de "Stronger", a faixa que usa sample de Daft Punk. É apenas uma síntese das influências pescadas por West para produzir o álbum.

Suas canções são pontuadas por toques de espiritualidade (referência à música gospel), por humor e por uma certa insolência alimentada pelos dólares de sua conta bancária.

Ele é melhor produtor, arranjador, do que letrista (chega a rimar "paparazzi" com "nazi"...). Mas tem senso de humor: em "Big Brother", brinca com Jay-Z: "Contei a Jay que tinha feito uma música com Coldplay/ Logo depois, ele faz uma música com Coldplay".

O rap de caráter mais tradicional aparece em "Good Life", "The Glory" e "Barry Bonds", mas traz batidas e melodias que escapam às convenções do gênero. Um dos pontos baixos é "Homecoming", a música-baba com Chris Martin. Mas aí a culpa nem é tanto dele...

Graduation

Artista: Kanye West
Gravadora: Universal
Quanto: R$ 35, em média
Avaliação: ótimo

Acompanhe as notícias em seu celular: digite wap.folha.com.br

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca