Jô Soares diz que críticas são de quem desconhece seu trabalho
DAYANNE MIKEVIS
da Folha Online
O apresentador Jô Soares disse à Folha Online que a polêmica gerada por um pedido de representação no Ministério Público Federal contra uma entrevista exibida em 18 de junho em seu programa é algo de quem desconhece seu trabalho.
| 09.nov.2007/Joao Sal/Folha Imagem |
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| Jô disse que episódio gerado por entrevista foi "tempestade em copo d'água" |
"É uma polêmica obviamente de quem não me conhece", disse Jô.
"É um programa que está há 19 anos no ar e uma das maiores características dele é ser contra o preconceito", afirmou o apresentador.
Segundo Jô Soares, ocorre uma "tempestade em um copo d'água", mas, de qualquer forma, ele pediu desculpas a quem se sentiu ofendido pelo programa.
"Evidentemente se alguém se sentiu ofendido ou se alguma entidade se sentiu ofendida, eu peço desculpas", disse o apresentador.
Jô também disse que querer atribuir manifestações de preconceito ao programa é "procurar pêlo em ovo", segundo as palavras do apresentador. Ouça um trecho da entrevista:
Causa
O apresentador afirmou que entrevistou nomes como Dulce Maria Pereira e historicamente discute questões sobre preconceito no Brasil.
Multiculturalismo é uma das pautas às quais Jô diz que seu programa sempre foi aberto.
"Não há motivo e minha história pessoal fala por mim", disse o apresentador, que afirmou que foi vítima de deturpação em outros episódios de sua trajetória profissional.
"Disseram uma vez que o Toni Ramos havia vindo ao meu programa e disse chorando que estava com Aids", contou o apresentador sobre o episódio exemplificado.
Comunicado
A Embaixada de Angola, país mencionado na entrevista com Ruy Morais sobre costumes tribais angolanos, emitiu um comunicado com o título de "Equívocos num programa de televisão", no qual critica a atração comandada pelo humorista.
"Com a manifesta conivência do entrevistador, aparentemente apostado em estimular índices de audiência, recorrendo ao primarismo do culto ao bizarro, o entrevistado deturpou e manipulou tradições culturais e costumes locais, dando-lhes colorido anormal", publicou o informe.
"Mais uma vez, o apelo ao exotismo, real ou imaginário, foi usado como meio de marketing, para vender jornais, programas de rádio ou de televisão", divulgou a nota.
No entanto, a Embaixada informou que não levou a reclamação ao programa nem ao apresentador.
Para Jô Soares, a representação angolana se equivoca a lhe atribuir declarações que foram do entrevistado e também em as tachar de racistas.
"Imagina que vou permitir no meu programa alguma manifestação racista, ao contrário, meu programa defende todas as minorias", disse Jô.
"Eu já entrevistei antropólogos da importância do Darcy Ribeiro sobre tribos brasileiras e sobre canibalismo e ninguém ficou com a impressão de que ele estava falando que todo brasileiro era canibal", disse Jô.
Notificação
Jô Soares disse pessoalmente à reportagem que nenhum membro de sua equipe foi contatado pelo Ministério Público Federal.
O apresentador afirmou ainda que, do período no qual foi ao ar a entrevista até agora, nenhuma ONG ou grupo entrou em contato com ele para manifestar desagrado com a entrevista.
Colaborou Patrícia Dantas
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