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04/12/2007 - 09h39

Gotan volta com suas luzes e afetação

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SYLVIA COLOMBO
da Folha de S.Paulo

Pouco menos de seis meses depois de seu último show em São Paulo, a banda de tango eletrônico franco-argentina Gotan Project volta para apresentação única na cidade, nesta noite. O retorno tão rápido explica-se. O concerto anterior foi um sucesso não só de público mas também de animação.

O que eles ficaram devendo, porém, foi justamente a parte musical. O grupo que deu início ao processo de inovação do tango no começo da década e criou o hype de sua variação eletrônica acabou transformando suas apresentações ao vivo num show de luzes e afetação.

Com a projeção de imagens de uma Argentina turística, de belas paisagens, cenas da noite portenha e dançarinas de salto alto vermelho, o concerto do Gotan vai pouco além das sacadas criativas que fizeram o vigor de "La Revancha del Tango" (2001) e "Lunático" (2006), seus dois álbuns de carreira.

Enquanto o primeiro lançou o tango para as pistas de dança, com os hits "El Capitalismo Foráneo" e "Queremos Paz", o segundo resgatou elementos que estavam na origem do gênero, como a batida afro, o tango-canção e o candombe, em faixas como "Lunático" e "Celos".

Em entrevista à Folha, o guitarrista Eduardo Makaroff diz que o Gotan quis voltar logo justamente por conta do sucesso no Brasil. "Tocamos para públicos diferentes, no Canecão, no Rio, com muita gente de pé, dançando, e em São Paulo, para um público comportado, homens sérios e barbudos.

Em ambos, sentimos uma vibração muito especial", conta. O show lança no Brasil o álbum "Inspiración/Espiración", de 2001 -ainda inédito aqui-, que reúne versões remixadas de hits dos dois discos e um CD-bônus com a inédita "La Cruz Del Sur" e o vídeo da canção "Sentimentale".

Makaroff evita comparar o Gotan com as outras bandas de tango eletrônico que surgiram na carona de seu sucesso. Prefere comentar um revival do tango em geral, incluindo o tradicional. "É algo que não se vê só na Argentina. Há mais criadores e intérpretes pelo mundo. Assim como o rock inglês exportou um modelo, o tango argentino já é algo incorporado por outras línguas e tradições."

Nesse contexto, insere-se a própria banda, criada em Paris no final dos anos 90 pelo suíço Christoph Muller, o francês Philippe Cohen-Solal e o próprio Makaroff, que é argentino, porém radicado na França.

Mesmo já longe de ser uma novidade, Makaroff diz que o Gotan ainda enfrenta críticas de tangueiros da velha-guarda. "Eles precisam entender que o respeito que temos pelo tango clássico é o mesmo que eles têm. E devem se dar conta de que a idéia de purificação cultural é um dos males mais terríveis que o mundo vive hoje."

Gotan Project

Quando: hoje, às 21h30
Onde: Via Funchal (r. Funchal, 65, Vila Olimpia, tel. 0/xx/11-3188-4148)
Quanto: de R$ 60 a R$ 300 (ingressos à venda na bilheteria do local; informações em www.viafunchal.com.br)

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