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22/07/2003 - 09h52

Músico Stefon Harris põe futuro do jazz para vibrar

CASSIANO ELEK MACHADO
da Folha de S.Paulo

Nas escolinhas de música existem as filas do piano, da guitarra, da bateria e do contrabaixo. Não há registros na história de congestionamentos de moleques querendo tocar vibrafone.

Stefon Harris foi um deles. E batucando as lâminas desse instrumento, híbrido da percussão com os teclados, ele conquistou já em sua estréia, em 1998, o panteão do jazz contemporâneo.

Aos 30 anos, o músico nova-iorquino, que acaba de ser reeleito a grande promessa do seu instrumento pela revista "Down Beat", exibe nesta semana, pela segunda vez aos brasileiros, o que é que o vibrafone tem.

Harris começa amanhã, como atração do 6º Diners Club Jazz Nights, no Bourbon Street (veja horários ao lado), uma miniturnê no país, que termina sábado com show no Mistura Fina, no Rio.

O instrumentista, que acaba de gravar com uma big band o ambicioso CD "The Grand Unification Theory" (Blue Note), virá ao país com um quarteto acústico.

Ele deverá tocar por aqui apenas composições suas. Na entrevista à Folha, abaixo, ele explica por quê.

Folha - Você disse que seu novo CD foi inspirado em um conceito da física quântica que defende a existência de quatro forças principais no universo, que parecem diferentes, mas não são. Você está chegando ao quarto CD. Eles parecem muito diferentes. Eles são?
Stefon Harris -
Até aqui, cada trabalho meu foi mesmo realmente diferente. O próximo também. Será uma banda elétrica, um trabalho mais funky, com elementos de dance music e música pop.

Folha - Um grupo de jovens jazzistas de ponta, como os pianistas Brad Mehldau e Jason Moran, tem incorporado muitos elementos pop. Esse é um novo movimento, como foi o bebop ou o free jazz?
Harris -
Ainda não sei, mas movimentos musicais são assim. Pessoas diferentes fazendo ao mesmo tempo coisas parecidas. Agora, músicos de minha geração estão incorporando mais sonoridades com as quais crescemos. É diferente do que tocar as músicas dos anos 40, que não significam muito para mim.

Folha - A geração imediatamente anterior à sua, os chamados "young lions", que têm Wynton Marsalis como expoente, se notabilizou por resgatar as "músicas dos anos 40". Qual sua opinião sobre a defesa da tradição?
Harris -
Acho que existe uma confusão muito grande sobre o que é a tradição do jazz. Para mim, Charlie Parker, John Coltrane e Louis Armstrong não são a tradição do jazz, são a história do jazz. A tradição do jazz é criatividade, espontaneidade, uma música que reflita as condições sociais, que inspire os indivíduos a se conhecerem.

Recriando a música dos anos 40 o músico gasta muito de seu tempo tentando chegar às visões de outros e acaba não descobrindo a si mesmo, uma das lições mais bonitas que a música oferece.

Folha - Por isso você praticamente só toca músicas que compôs?
Harris -
Minha música é minha jornada para tentar descobrir o que há dentro de mim. E não acredito que isso tenha muito a ver com o que se fazia nos anos 40.
 

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