Filme que recria morte de John Lennon é lançado no Reino Unido
PEDRO ALONSO
da Efe, em Londres
Um provocativo filme que explora a obscura mente de Mark David Chapman, o assassino de John Lennon, chegou nesta sexta-feira aos cinemas do Reino Unido, à véspera do 27º aniversário de uma das mortes que mais comoveu o mundo no últimos anos.
Dirigido pelo britânico Andrew Piddington, o filme, intitulado "The Killing of John Lennon" ("O Assassinato de John Lennon", em tradução livre), recria com dramatismo os apavorantes planos de Chapman, um narcisista transtornado, para acabar com a vida do famoso músico.
| Divulgação |
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| Jonas Ball interpreta Mark Chapman no filme dirigido pelo britânico Andrew Piddington |
Com a precisão de um cirurgião, Piddington, que demorou três anos para terminar o filme por falta de orçamento, reconstrói os movimentos do assassino nos meses anteriores ao crime, a partir de suas próprias declarações à Polícia e de testemunhos.
Criticado pelos que acreditam que o filme glorifica Chapman, o cineasta passeia pela mente do psicopata sem medo da polêmica, embora não se esqueça de que "o impacto da morte de John Lennon ainda é sentida hoje por muita gente".
"Desde o princípio quis que o filme fosse controvertido, duro, realista e impávido na apresentação da verdade", afirma Piddington na página oficial de "Killing of John Lennon".
O peso do filme recai sobre os ombros de Jonas Ball, um ator pouco conhecido que deleita o espectador com uma interpretação sublime e uma narração da história ao estilo do personagem Travis Bickle, encarnado por Robert de Niro em "Taxi Driver".
O filme começa com um dia na vida de Chapman, um jovem segurança de 25 anos que vive em Honolulu (Havaí), é casado com uma japonesa, chamada Gloria, envergonha-se de sua mãe e odeia o pai.
Sem qualquer auto-estima, o perturbado jovem procura refúgio no romance "O Apanhador no Campo de Centeio", de J.D. Salinger, e acaba identificando-se com o personagem de Holden Caulfield, que não suporta a hipocrisia.
Em uma biblioteca, Chapman fixa suas atenções em um álbum de fotos de Lennon e se pergunta como um homem tão rico "pode dizer (na canção 'Imagine') para que imaginemos que não há posses".
Com isso, Chapman conclui que Lennon "é um farsante" e começa a traçar um plano para matá-lo, enquanto escuta canções dos Beatles.
Chapman viaja a Nova York, monta guarda durante dias em frente ao edifício Dakota, onde Lennon vive com sua mulher, Yoko Ono, e em 8 de dezembro de 1980 acorda com uma premonição: "Hoje é o dia".
À tarde, o perturbado jovem aborda o casal na saída do Dakota e consegue que Lennon, que tinha completado recentemente 40 anos, autografe uma cópia do álbum "Double Fantasy".
Quando o casal volta para casa à noite, Chapman, que continua no local, cumpre sua "missão" e dispara cinco balas de calibre 38 no músico pelas costas.
O filme, aclamado em 2006 no Festival de Edimburgo, recebeu o prêmio especial do júri no nova-iorquino Festival de Cinema de Tribeca, embora tenha sido alvo de ataques no Reino Unido.
O jornal sensacionalista "The Mirror" tachou o filme de mau gosto, porque "o homem que atirou no ex-Beatle merece apodrecer em sua cela, e não que se façam filmes sobre ele".
Além disso, o crítico Ian Milhar, da "Bloomberg", lamentou que Chapman apareça no filme como "um certo tipo de anti-herói existencialista", quando foi apenas "um homem muito perturbado, e possivelmente doente, que assassinou Lennon a sangue frio".
Em sua defesa, Piddington argumenta que "o filme não condena ou exonera Mark Chapman e, embora se trate de um filme humano, não é de nenhuma maneira compassivo com ele".
Mark David Chapman segue no presídio de Attica (Nova York), e teve seu pedido de liberdade condicional negado em quatro ocasiões.
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